TSE quer criar selo para ranquear institutos de pesquisa eleitoral

Rafael Ramos
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O TSE estuda certificar institutos de pesquisa que acertarem mais nas urnas. A medida visa premiar precisão e estimular transparência no setor — que influencia diretamente a opinião do eleitor.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estuda criar um selo de qualidade para reconhecer institutos de pesquisa eleitoral que apresentarem metodologias consistentes e resultados próximos aos verificados nas urnas. A proposta, anunciada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, pretende diferenciar as empresas que demonstrarem maior precisão estatística na véspera do pleito.

Em entrevista, Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, afirmou que a iniciativa não deve ser interpretada como punição aos institutos que errarem, mas como estímulo à melhoria técnica e à competição saudável. Segundo ele, a certificação poderá ampliar oportunidades para empresas regionais que, apesar de produzirem levantamentos confiáveis, carecem de visibilidade no mercado dominado por grandes marcas.

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“Vejo muito mais o intuito de premiar quem chegar próximo dos resultados do que trazer demérito para quem não acertar”, defendeu Hidalgo.

Pelo desenho em discussão, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ficariam responsáveis por conceder o selo em âmbito estadual. A descentralização tende a favorecer pequenos institutos locais, que poderão usar a chancela oficial como argumento comercial para captar novos contratos, sobretudo nas eleições municipais. Para Hidalgo, essa dinâmica pode quebrar o monopólio do setor e levar a um aumento do número de levantamentos publicados.

O executivo ponderou, contudo, que grandes empresas do ramo realizam pesquisas com maior frequência e, por consequência, ficam mais expostas a oscilações e margens de erro. Esse volume estatisticamente amplo poderia, em determinados momentos, imped-las de obter a certificação. Ainda assim, ele avalia que a transparência proporcionada pelo selo trará ganhos diretos para eleitores, campanhas e para a própria credibilidade do processo democrático.

Questionado sobre divergências pontuais entre institutos em períodos pré-eleitorais, Hidalgo recomendou que o público acompanhe o histórico de desempenho de cada empresa. O empresário lembrou que métodos distintos — entrevistas presenciais, por telefone ou on-line — podem gerar variações, mas o critério decisivo deve permanecer a proximidade dos números finais com o resultado oficial. Ele citou casos anteriores em que sua empresa apresentou estimativas muito próximas às apurações do primeiro e do segundo turno.

O debate sobre o selo seguirá em análise interna no TSE, que ainda não definiu prazos para implementação. Caso avance, a certificação representará a primeira iniciativa institucional no país para qualificar e padronizar, de forma pública, a performance dos institutos de pesquisa eleitoral.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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