EUA podem assumir o controle da rota por onde passa 20% do petróleo mundial. Trump cobra reembolso pelo papel de 'guardião' do estreito estratégico.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (13) que Washington provavelmente assumirá o controle do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo — e que, por essa atuação, o país “deverá ser reembolsado”. As declarações foram feitas em entrevista telefônica ao programa “Fox & Friends”.
“Vamos manter o estreito e, provavelmente, vamos administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o chamemos de ‘anjo da guarda’ do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, afirmou o presidente.
Trump reforçou que, na visão dele, outras nações “muito ricas” que dependem do fluxo de petróleo pela região deveriam arcar com os custos da proteção norte-americana.
“Seremos pagos para protegê-lo — muito dinheiro. Não se pode esperar que façamos isso de graça”, acrescentou.
O posicionamento ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã. No sábado (11), o Irã anunciou o fechamento da via marítima, alegando “passagem não autorizada” de embarcações. No domingo (12), autoridades iranianas confirmaram que a suspensão da navegação continuava em vigor e que novas autorizações só seriam emitidas “assim que a estabilidade e a calma” fossem restabelecidas.
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A interrupção elevou os preços internacionais de energia e reacendeu preocupações inflacionárias. Analistas observam que qualquer restrição prolongada ao tráfego no Estreito de Ormuz pode impactar diretamente a oferta global de petróleo e gás, pressionando economias dependentes do combustível fóssil.
No mesmo período, forças norte-americanas e iranianas trocaram ataques com mísseis e drones na região do Golfo. Teerã afirmou ter atingido instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrain, enquanto Washington confirmou ações de retaliação. As hostilidades lançam dúvidas sobre o acordo provisório firmado no mês passado, que previa 60 dias adicionais de negociação para reabrir completamente a passagem e reduzir atividades militares.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que “a única forma de restaurar o tráfego marítimo regular é o fim das intervenções militares dos EUA”, alertando que a “interferência contínua poderia levar a incidentes mais graves no setor global de petróleo e gás”.
Até o momento, não há sinal de retomada imediata das conversas diplomáticas. Especialistas em segurança energética avaliam que o impasse coloca pressão sobre aliados dos dois países, especialmente na Europa e na Ásia, que dependem do fluxo contínuo de petróleo pelo estreito para abastecer suas economias.
Observadores lembram que, historicamente, o Estreito de Ormuz já foi palco de confrontos semelhantes e que a presença militar internacional na área não é novidade. Entretanto, a combinação de ataques diretos, retórica acalorada e volatilidade no mercado de energia eleva o risco de um conflito mais amplo.
Enquanto isso, líderes regionais buscam mediação para evitar nova escalada. A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, consciente de que qualquer erro de cálculo pode comprometer a segurança de uma das mais importantes rotas marítimas do planeta.
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