Trump não descarta guerra terrestre contra o Irã e fala em aliados

Robson Alves
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Em entrevista, Trump admitiu que uma campanha terrestre contra o Irã 'está na mesa'. Sem citar nomes, o presidente americano sinalizou que aliados fariam o trabalho.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou em 14/07 a possibilidade de autorizar uma campanha terrestre no conflito em andamento com o Irã. A declaração foi feita durante entrevista televisiva, na qual o chefe do Executivo norte-americano reiterou que prefere evitar o envio de tropas, mas admitiu que a hipótese permanece sobre a mesa.

“Eu não quero fazer isso. Às vezes é preciso uma campanha terrestre, mas temos outras pessoas que fariam a campanha terrestre por nós”, afirmou Trump, sem especificar quais seriam essas forças aliadas.

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A declaração ocorre em um momento de escalada retórica entre Washington e Teerã. Analistas militares consultados por veículos de imprensa avaliam que um eventual desembarque poderia ter como alvo a Ilha de Kharg — principal terminal de exportação de petróleo iraniano — ou pontos da costa sul do país, no Golfo Pérsico. Especialistas ponderam, no entanto, que qualquer operação anfíbia nessa região exige planejamento logístico complexo e enfrentaria defesas consideráveis.

Estudos recentes publicados em periódicos militares dos EUA destacam a crescente vantagem tática de forças que atuam na defesa de litorais. Segundo esses levantamentos, a combinação de drones, munições guiadas e artilharia convencional permitiria ao Irã concentrar fogo nos corredores de aproximação de embarcações de desembarque, dificultando a permanência de tropas estrangeiras em solo persa.

“O equilíbrio da guerra litorânea mudou fortemente a favor do defensor”, observou o capitão do Exército norte-americano Daniel S. Hogestyn, em artigo de maio-junho da revista Military Review.

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Fontes do Departamento de Defesa confirmam que a 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (MEU) opera na região a bordo do Grupo Anfíbio de Prontidão do USS Boxer. Com contingente superior a 2 mil militares, a MEU é treinada para evacuações, incursões costeiras e ações especiais. Caso uma decisão política determine o uso de força terrestre, essa formação seria empregada nas fases iniciais da operação.

Além dos fuzileiros, a 82ª Divisão Aerotransportada mantém capacidade de resposta rápida para missões que envolvem tomada de portos ou aeródromos críticos. A mobilização dessa força pode ocorrer em questão de horas, aumentando a pressão sobre Teerã e ampliando o leque de opções táticas para Washington.

Apesar das demonstrações de prontidão, autoridades dos EUA evitam prever prazos ou detalhar cenários. Diplomaticamente, o governo afirma continuar aberto a negociações, enquanto o Irã reforça que responderá a qualquer violação de sua soberania. Observadores internacionais ressaltam que, sem diálogo, o risco de erros de cálculo permanece alto, sobretudo em uma zona marítima vital para o abastecimento global de petróleo.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre envolvimento de países aliados em eventual operação terrestre. Mantém-se incerto se nações do Golfo ou membros da OTAN cederiam tropas ou apoio logístico. Analistas recordam experiências passadas no Oriente Médio para sublinhar que ocupações prolongadas costumam gerar custos políticos e humanos significativos.

Em Washington, congressistas de ambos os partidos pedem transparência sobre os objetivos e limites de uma intervenção. Legisladores lembram que a Constituição norte-americana exige autorização parlamentar para conflitos prolongados, questão que pode se tornar central caso o Executivo avance no planejamento de um teatro de operações em território iraniano.

Enquanto isso, mercados de energia acompanham atentamente os desdobramentos. Qualquer interrupção nas exportações iranianas via Ilha de Kharg tende a afetar a oferta global e pressionar preços. Investidores avaliam cenários de curto e médio prazo, considerando tanto a possibilidade de ações militares quanto de avanços diplomáticos que reduzam tensões.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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