Trump manda investigar petroleiras por não repassar queda do petróleo ao consumidor

Robson Alves
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O Departamento de Justiça dos EUA foi acionado por Trump para apurar se grandes petroleiras praticam preços abusivos nas bombas. A suspeita: lucro extra enquanto o barril despenca no mercado internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na madrugada desta quarta-feira, 24/06, que ordenou ao Departamento de Justiça a abertura de investigação sobre eventuais práticas abusivas de preços pelas maiores companhias de petróleo que atuam no país. A medida visa apurar se os valores cobrados nas bombas acompanham, de fato, a recente queda nas cotações internacionais do petróleo.

“As grandes empresas de petróleo não estão reduzindo os preços nas bombas de combustível de forma compatível com a forte queda dos preços que estão pagando pelo petróleo. Esses preços estão caindo como uma pedra! Em outras palavras, os consumidores estão sendo explorados”, afirmou Trump em publicação na rede Truth Social.

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A declaração foi feita poucas horas depois de o barril do Brent, referência global, ser negociado abaixo de US$ 77. Já o WTI, principal indicador do mercado norte-americano, recuou para menos de US$ 73. Os movimentos de baixa ocorreram em meio ao alívio observado nos mercados após Washington e Teerã firmarem um memorando de entendimento com o objetivo de trabalhar pelo fim do conflito armado em curso.

A menor tensão geopolítica também foi reforçada pela manutenção do fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde trafega cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Ainda assim, divergências de discurso entre autoridades norte-americanas e iranianas, sobre o andamento das negociações, provocaram breves oscilações de instabilidade durante o pregão.

No encerramento das operações da Intercontinental Exchange (ICE) de Londres, o contrato do Brent para entrega em setembro registrou baixa de 0,93%, equivalente a US$ 0,72, fechando a US$ 76,80. Analistas consultados por casas de investimento destacaram que a queda pode oferecer espaço para novos ajustes nos preços internos dos combustíveis, reforçando a cobrança feita pelo presidente.

“Os preços da gasolina precisam começar a cair muito mais rápido do que estou vendo!”, acrescentou Trump na mesma publicação.

Segundo integrantes da equipe econômica da Casa Branca, a investigação deverá verificar a estrutura de formação de preços ao consumidor final, comparando-a à variação recente do barril no mercado internacional. Caso se confirme discrepância injustificada, o Departamento de Justiça poderá recomendar sanções ou medidas regulatórias adicionais.

Empresas do setor ainda não comentaram oficialmente o anúncio, mas associações representativas defendem que a precificação leva em conta custos de refino, distribuição, impostos estaduais e federais, além de prazos contratuais que, muitas vezes, retardam a transferência integral das flutuações do mercado para as bombas.

Para especialistas, o inquérito proposto deve ganhar relevância política na corrida presidencial norte-americana, na qual o custo dos combustíveis costuma figurar entre os principais temas de debate. A expectativa é de que o Departamento de Justiça apresente um relatório preliminar nas próximas semanas, detalhando a metodologia e o cronograma da apuração.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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