Declaração de Trump sobre taxa de 20% no Estreito de Ormuz já elevou o petróleo. Para o brasileiro, o reflexo pode chegar direto na bomba de combustível.
A alta do preço do petróleo, registrada na última segunda-feira (13), é atribuída ao anúncio dos Estados Unidos sobre a imposição de um pedágio de 20% sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, no Irã. Especialistas do setor de energia indicam que esse aumento pode refletir diretamente no preço dos combustíveis, especialmente da gasolina.
Na manhã de segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez uma declaração em sua rede social, Truth Social, informando que Washington planeja cobrar uma taxa sobre a carga transportada pelo estreito e retomar o bloqueio aos portos iranianos. Trump afirmou que o estreito permanece aberto e que os EUA serão conhecidos como “O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ”, ressaltando a necessidade de serem reembolsados em 20% de toda a carga transportada.
Esse anúncio surge em um contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã, logo após o fim do Memorando de Entendimento e do cessar-fogo entre os dois países, que resultou em uma troca de ataques durante o fim de semana. Thiago Valejo, gerente de Projetos de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, afirma que a combinação de hostilidades e o anúncio de Trump resultaram em uma alta superior a 9% no preço do barril de petróleo.
“Enquanto não houver uma estabilidade na região, os mercados reagirão com aumento de preço. Cabe lembrar que o reflexo será em todo o mundo, em todas as economias”, disse Valejo.
Valejo destacou que a volatilidade do mercado pode aumentar dependendo de como as tarifas anunciadas por Trump serão implementadas. Ele observou que 20% é um valor considerável, especialmente se a taxa for aplicada sobre o valor da carga transportada, o que poderia tornar a situação ainda mais problemática.
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Caso a medida entre em vigor, o novo pedágio pode pressionar ainda mais o preço do petróleo e, consequentemente, provocar aumentos nos preços da gasolina e de outros derivados. Valejo acrescentou que qualquer gargalo logístico teria impacto na disponibilidade futura de combustíveis, gerando uma expectativa de que os preços possam voltar a subir.
“Qualquer gargalo logístico impacta também a disponibilidade futura de combustíveis. Então existe sim uma expectativa, diante do momento atual, dos preços voltarem a subir”, afirmou.
Além dos combustíveis, o impacto do aumento do preço do barril de petróleo pode se estender a diversos setores da economia, segundo Pedro Rodrigues, sócio do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). Rodrigues alertou que o aumento do preço do combustível pode elevar a inflação global.
“O aumento do preço do barril com certeza causará um aumento do preço do combustível, que deve aumentar a inflação global”, declarou.
Esse cenário já foi observado anteriormente, quando a escalada de ataques levou à elevação do preço do barril, pressionando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) além das expectativas do mercado. Rodrigues, no entanto, ressaltou que o impacto atual depende da implementação real da cobrança de Trump e que o efeito narrativo do anúncio pode ter causado mais instabilidade do que mudanças práticas no mercado.
Por fim, o sócio do CBIE mencionou que existe a possibilidade de Trump não colocar a medida em prática, uma vez que isso poderia acarretar custos políticos em um momento em que o presidente enfrenta críticas relacionadas aos altos preços da energia, especialmente com as eleições para o Congresso se aproximando.
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