Trump desiste de pedágio em Ormuz após pressão de reis e emires do Golfo

Robson Alves
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Líderes do Golfo Pérsico ligaram diretamente para Trump e conseguiram barrar a taxação no estreito mais estratégico do mundo. Em troca, prometeram ampliar investimentos nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira, 14 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter abandonado a proposta de cobrar um pedágio sobre as mercadorias que transitam pelo Estreito de Ormuz. Segundo o republicano, a mudança de posição ocorreu depois de conversas telefônicas com chefes de Estado de vários países do Golfo Pérsico, que pediram a suspensão da iniciativa e ofereceram, em contrapartida, ampliar investimentos em solo norte-americano.

“Recebi ligações de várias pessoas, de diferentes países — reis, emires e todas aquelas pessoas que todos nós conhecemos e estimamos. E elas disseram: ‘Gostaríamos muito de fazer isso de outra maneira’”, relatou o presidente no Salão Oval.

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Trump vinha defendendo a cobrança como uma forma de “ressarcimento” pela proteção militar que a Marinha dos EUA presta às embarcações que atravessam o corredor marítimo, responsável por cerca de um quinto do óleo comercializado globalmente. O mandatário reconheceu, porém, que “nenhum país deveria taxar o acesso a rotas de navegação internacionais”.

De acordo com ele, a proposta de aporte financeiro apresentada pelos parceiros do Golfo tornou-se “muito mais vantajosa” do que a tarifa originalmente pensada. Embora não tenha divulgado cifras ou prazos, Trump classificou o compromisso de investimento como “satisfatório” e “superior” ao pedágio.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado estratégico para a economia global: cerca de 21 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo local. O eventual bloqueio da rota costuma pressionar os preços internacionais do petróleo e provocar instabilidade nos mercados.

Aliados europeus, entre eles o Reino Unido, já haviam manifestado contrariedade à ideia do pedágio, argumentando que a iniciativa poderia violar princípios do direito marítimo e encarecer ainda mais a cadeia de suprimento de energia. No mês passado, o chanceler norte-americano classificou a proposta como “inviável”, sinalizando dificuldades políticas e logísticas para implementá-la.

Mesmo após o recuo, Trump sustentou que os Estados Unidos não dependem do estreito na mesma proporção que parceiros asiáticos e europeus. O presidente ressaltou que a maior parte do petróleo consumido internamente é produzida no território nacional, mas assegurou que Washington continuará prestando apoio de segurança, “desde que isso sirva aos interesses americanos”.

Até o momento, os governos do Golfo não detalharam quais setores receberão os recursos prometidos, nem o cronograma de liberação dos valores. Analistas internacionais observam que, além de evitar atritos diplomáticos, a decisão de abandonar o pedágio mantém aberta a possibilidade de cooperação econômica entre Washington e as pétromonarquias, em um contexto de volatilidade no mercado de energia e tensões geopolíticas na região.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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