Trump ameaça bombardear Irã por dias seguidos se negociações travarem

Robson Alves
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Em entrevista à Fox News, Trump prometeu ataques contínuos contra infraestrutura iraniana. A pressão americana sobe enquanto Teerã hesita em voltar às negociações com Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a escalar o tom contra o Irã. Em entrevista concedida nesta terça-feira, 14 de julho, o republicano afirmou que ordenará ataques contra usinas de energia e pontes iranianas se Teerã não retornar imediatamente à mesa de negociações com Washington.

“Vamos atingi-los com muita força esta noite. Vamos atingi-los com força amanhã à noite. Vamos atingi-los com muita força na noite seguinte”, declarou Trump ao canal Fox News.

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Segundo o mandatário, os bombardeios continuariam “até que ele considere a ofensiva suficiente”. O chefe da Casa Branca disse ter especificado à sua equipe militar que, na próxima semana, a infraestrutura elétrica e as principais ligações rodoviárias do país persa passarão a ser alvo prioritário, caso não haja sinal concreto de acordo.

Trump ressaltou que instalações petrolíferas na ilha de Kharg foram poupadas até o momento para evitar um choque imediato nos mercados globais de energia, mas advertiu que a decisão poderá ser revista. “Tudo depende do comportamento deles”, declarou.

A possibilidade de uma operação terrestre não foi descartada. Questionado sobre o tema, o presidente norte-americano lembrou que “às vezes, é preciso uma campanha terrestre”, embora tenha indicado que forças aliadas poderiam assumir essa etapa.

Os Estados Unidos iniciaram na própria terça-feira (14.jul) uma nova série de ataques aéreos contra posições iranianas, marcando o quarto dia seguido de operações militares. Washington também reativou o bloqueio naval em portos e faixas costeiras do Irã. Fontes do Departamento de Defesa contabilizam mais de 20 navios de guerra e centenas de aeronaves na região.

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Cerca de uma hora antes da entrevista, representantes norte-americanos conversaram com negociadores iranianos. Trump relatou que o Irã “demonstra interesse” em firmar um entendimento, mas recua logo depois.

“É melhor vocês fazerem um acordo. Estamos sendo muito cuidadosos com a população civil, mas vocês não terão mais nada”, advertiu.

Apesar de declarar que os principais objetivos militares “já foram cumpridos”, o governante disse que o Irã ainda mantém capacidade de reação, comparando o país a “um boxeador que volta a golpear quando parece derrotado”.

O governo norte-americano afirma monitorar atividades em outra instalação nuclear iraniana e, conforme Trump, o local poderá ser bombardeado “em questão de minutos” se houver retomada de operações consideradas sensíveis.

A tensão aumentou depois de ataques iranianos a embarcações e bases na região. O Kuwait informou que um navio de sua Marinha foi atingido, deixando quatro militares feridos, além de ter interceptado mísseis e 33 drones dirigidos a áreas civis e infraestruturas estratégicas.

Na mesma entrevista, Trump confirmou ter desistido de impor uma taxa de 20% sobre cargas que cruzam o estreito de Ormuz. O plano, disse, será substituído por acordos comerciais e investimentos de países do Golfo em território norte-americano, enquanto permanece o bloqueio a navios e mercadorias iranianas.

Analistas observam que a ameaça a alvos energéticos amplia o risco humanitário e pressiona o mercado de petróleo, que já registra alta de preços. A comunidade internacional acompanha o desenrolar dos acontecimentos em busca de sinais que apontem para diálogo ou, ao contrário, para um confronto de maior escala.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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