Trump abandona tarifa no Estreito de Ormuz e aposta em acordos do Golfo

Robson Alves
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Washington recua de medida que ameaçava encarecer o comércio global. Em troca, países do Golfo prometem investimentos nos EUA, mas detalhes ainda não foram revelados.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14) que desistiu de aplicar a tarifa de 20% sobre todo navio mercante que cruzasse o Estreito de Ormuz. A medida havia sido divulgada na véspera, como resposta aos ataques contínuos entre forças norte-americanas e unidades militares do Irã no Oriente Médio.

Segundo o mandatário, a cobrança será substituída por um pacote de “acordos comerciais e de investimento” que países do Conselho de Cooperação do Golfo pretendem firmar em território norte-americano. Detalhes financeiros e prazos para esses contratos ainda não foram divulgados pela Casa Branca.

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“Esses investimentos serão ENORMES, mas, ao mesmo tempo, extraordinariamente bons para eles e para o seu futuro”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.

O estreito se mantém como uma das rotas energéticas mais sensíveis do planeta: cerca de 20% de todo petróleo comercializado mundialmente passa, diariamente, por seus 39 quilômetros de largura em ponto mais estreito. No comunicado, o presidente enfatizou que a passagem “está aberta a TODO o tráfego marítimo, exceto para o Irã”.

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Horas antes do recuo, Trump havia ordenado a continuidade dos bombardeios contra alvos iranianos na região. Washington sustenta que os ataques respondem a hostilidades iniciadas por Teerã contra instalações e tropas dos EUA e de aliados no Golfo. O presidente declarou ter “perdido a paciência” com o governo iraniano e confirmou a reimposição do bloqueio a portos persas a partir das 17h00 (horário de Brasília) desta terça-feira.

Do lado iraniano, autoridades reiteram o entendimento de que têm autoridade histórica sobre o Estreito de Ormuz e o direito de cobrar pedágios de embarcações estrangeiras. Analistas avaliam que a retirada da taxa norte-americana diminui a probabilidade de retaliações econômicas imediatas, mas não reduz a tensão militar, que segue elevada após sucessivos ataques em solo sírio e iraquiano nas últimas semanas.

Especialistas em comércio marítimo lembram ainda que qualquer interrupção prolongada na rota impacta preços globais de energia e seguros de carga. Para o momento, a sinalização de abertura a investimentos é vista como tentativa de Washington de manter o fluxo de mercadorias e, ao mesmo tempo, reforçar alianças com monarquias sunitas do Golfo, interessadas em diversificar aplicações fora do setor petrolífero.

Diplomatas consultados consideram improvável uma mediação internacional nas próximas semanas, dado o endurecimento público de ambos os governos. Organizações multilaterais, contudo, acompanham as negociações para evitar escalada que possa comprometer o abastecimento de petróleo nos mercados asiático e europeu.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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