Toyota cede à pressão de Trump, mas montadoras resistem às tarifas

Robson Alves
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A Toyota transfere parte da produção ao solo americano, mas a maioria das montadoras ainda hesita. Pressão tarifária de Trump avança, porém não garante o êxodo industrial prometido.

A Toyota anunciou na semana passada a decisão de transferir parte da produção de suas picapes Tacoma do México para os Estados Unidos, uma medida que se destaca em um contexto onde outras montadoras hesitam em fazer o mesmo. A montadora japonesa irá fabricar metade de suas picapes Tacoma em uma fábrica ampliada em San Antonio, onde já produz a picape Tundra e o SUV Sequoia. Contudo, a produção das Tacomas continuará no México.

O presidente Donald Trump elogiou a movimentação da Toyota, destacando-a como uma evidência das tarifas em ação. No entanto, a empresa não associou a transferência diretamente à política tarifária, ressaltando que suas decisões de investimento são baseadas em objetivos estratégicos de longo prazo.

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Passado mais de um ano desde que o governo Trump anunciou tarifas automotivas para estimular a produção local, a ação da Toyota se revela como uma exceção. A maioria das montadoras ainda prefere arcar com as tarifas, ao invés de realizar investimentos bilionários em novas instalações. Os dados indicam que 46% dos carros comprados nos Estados Unidos em 2025 foram importados, uma leve queda em relação a 47,7% no ano anterior. Parte dessa redução se deve ao fato de algumas montadoras terem interrompido a venda de veículos importados mais acessíveis.

A dificuldade de transferir a produção para os EUA está atrelada a altos custos e incertezas. Ivan Drury, diretor de insights do site de compra de carros Edmunds, afirmou que construir uma nova fábrica representa um compromisso significativo e que agir impulsivamente seria imprudente. Assim, a estratégia mais segura para as montadoras é manter suas operações intactas, apesar do aumento das tarifas.

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Adicionalmente, o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) está em renegociação, o que preocupa as montadoras que dependem da livre circulação de peças entre os três países. O American Automakers Policy Council, que representa grandes montadoras como General Motors e Ford, pediu uma solução rápida que assegure condições justas de concorrência.

As tarifas têm impactado os lucros das montadoras. A Toyota, por exemplo, pagou US$ 8,4 bilhões em tarifas no último ano fiscal, transformando seus resultados na América do Norte de lucro em prejuízo. A General Motors e a Ford também relataram perdas significativas devido a essas tarifas.

Apesar das dificuldades, as tarifas não foram completamente ineficazes. No ano passado, a General Motors anunciou a transferência da montagem de dois SUVs do México, indicando que algumas montadoras ainda estão se adaptando às novas condições do mercado. Contudo, essas mudanças normalmente ocorrem em fábricas já existentes, aproveitando a capacidade ociosa.

Patrick Anderson, economista especializado no setor automotivo, observou que a Toyota está consolidando suas operações em San Antonio não apenas por razões comerciais, mas também devido ao crescimento bem-sucedido de suas vendas de picapes nos Estados Unidos. Ele destacou que, mesmo com as altas tarifas, a construção de novas fábricas nos EUA requer um investimento que pode não ser justificável em um cenário econômico em constante mudança.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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