Tensão no Oriente Médio eleva petróleo e ameaça custos no Brasil

Robson Alves
4 Min Leitura

Sem acordo entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz, petróleo subiu nos mercados internacionais. A alta pode pressionar combustíveis, fretes e a inflação brasileira.

Os contratos futuros de petróleo encerraram esta quarta-feira, 19 de agosto, em alta nos principais mercados internacionais, num dia marcado pela ausência de sinais de distensão entre Estados Unidos e Irã a respeito do Estreito de Ormuz, ponto de passagem estratégico para o comércio global de energia.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o West Texas Intermediate (WTI) para entrega em outubro subiu 0,39% (US$ 0,33), fechando a US$ 84,39 por barril. Já o Brent de mesmo vencimento, negociado na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres, ganhou 0,66% (US$ 0,60) e terminou a sessão em US$ 91,62 o barril.

Publicidade

Mesmo depois da divulgação de estoques maiores do que o esperado pelo Departamento de Energia dos EUA, o movimento de valorização se manteve. O relatório registrou aumento inesperado nas reservas de óleo cru, expansão da produção média diária e ampliação dos estoques de gasolina, enquanto os derivados destilados recuaram. Historicamente, ampliações de oferta tendem a pressionar os preços, mas, nesta sessão, o pano de fundo geopolítico pesou mais.

“Podemos retomar negociações com o Irã em algum momento, mas não agora”, afirmou o presidente norte-americano, Donald Trump, acrescentando que Washington “controla Ormuz” e que “muitos navios cruzaram a rota na terça-feira”. Ele ainda previu queda dos preços quando o conflito terminar.

Trump mencionou a entrada de óleo por outras rotas, inclusive via Texas, como fator de alívio potencial no mercado. A declaração gerou reação irônica do consulado iraniano, que, após ouvir o presidente dizer que gostaria de transformar Ormuz em território dos EUA, respondeu que “a Califórnia é o novo território iraniano”. Não houve comentário oficial adicional de Washington ou Teerã.

Segundo a emissora Al Arabiya, o presidente do Parlamento do Iraque, Haibat al-Halbousi, solicitou ao Irã “status especial” para as exportações de petróleo iraquianas que transitam por Ormuz, durante encontro em Bagdá com Mohammad Bagher Ghalibaf. Detalhes sobre o pedido não foram divulgados.

As repercussões diplomáticas foram além da região. O governo francês decidiu expulsar dois diplomatas iranianos, citando agressões ocorridas em julho contra cidadãos franceses no Irã. Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades anunciaram a suspensão temporária do comércio e de transações financeiras com o país persa.

Outro vetor de apoio às cotações foi o recuo do dólar frente a moedas fortes, movimento que costuma tornar as commodities dolarizadas relativamente mais baratas para compradores de outras divisas. A divisa norte-americana cedeu em meio a reações ao anúncio do Departamento do Tesouro dos EUA de que atuará para conter a escalada nos rendimentos dos Treasuries de longo prazo.

O Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela relevante das exportações de petróleo do Oriente Médio, permanece no centro das atenções dos investidores. Qualquer interrupção nesse corredor tem potencial de restringir oferta global, elevar custos de frete e pressionar o mercado de energia.

Analistas acompanham a possibilidade de retomada das conversas bilaterais e seus reflexos sobre a oferta. Até o momento, porém, não há cronograma público para novas rodadas de diálogo. O mercado seguirá atento a eventuais anúncios oficiais nas próximas semanas.

Publicidade
Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
Entre no Grupo de Notícias