Tensão EUA-Irã dispara petróleo 4% e ameaça o bolso do brasileiro

Robson Alves
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O barril do Brent chegou a US$ 86,91 nesta terça, maior valor em um mês. O conflito no Golfo Pérsico acende alerta para alta nos combustíveis e pressão inflacionária no Brasil.

Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira, 14/07, alcançando os maiores patamares em cerca de um mês. O movimento refletiu o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, fator que reavivou o temor de interrupções no fornecimento da commodity vindo do Golfo Pérsico.

Por volta das 9h39 (horário de Brasília), o Brent, referência global, avançava 4,33%, sendo negociado a US$ 86,91 o barril. No mesmo horário, o WTI, referência norte-americana, subia 3,17%, para US$ 80,62. Com os ganhos, o Brent atingiu o valor mais elevado desde 12 de junho, enquanto o WTI alcançou o nível mais alto desde 16 de junho.

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Analistas apontam que a reação do mercado foi motivada sobretudo pela reativação, por parte de Washington, do bloqueio naval imposto a Teerã. Além disso, o governo norte-americano anunciou uma proposta de cobrança de 20% sobre embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente.

O estreito voltou ao centro das discussões geopolíticas depois de relatos de ataques a petroleiros dos Emirados Árabes Unidos atribuídos ao Irã e da redução do número de navios que utilizam a passagem ao menor patamar em dois meses. A possibilidade de novas restrições ao tráfego marítimo elevou o prêmio de risco embutido nas cotações.

“Qualquer perturbação na navegação em Ormuz repercute imediatamente nos contratos futuros, pois representa ameaça direta ao equilíbrio entre oferta e demanda”, comentou um operador ouvido pelo mercado.

Embora o avanço de preços beneficie países produtores, na avaliação de economistas a continuidade da escalada pode pressionar a inflação global e elevar custos de transporte e logística em diversas cadeias produtivas. Importadores asiáticos, que dependem intensamente do fornecimento do Oriente Médio, são apontados como os mais vulneráveis em caso de prolongamento do impasse.

Observadores lembram que episódios semelhantes em anos anteriores levaram à formação de coalizões navais para escoltar petroleiros, medida que encarece seguros marítimos e amplia despesas operacionais. Até o momento, não foram divulgados planos concretos de negociação entre Washington e Teerã, mantendo o cenário de incerteza que sustenta a volatilidade nos contratos de energia.

Analistas técnicos destacam que, se não houver sinal de alívio diplomático nos próximos dias, o Brent pode testar a faixa de US$ 90, enquanto o WTI poderia aproximar-se de US$ 83. A expectativa é de que novas informações sobre movimentação de navios na região e eventuais retaliações definam o rumo das cotações no curto prazo.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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