Tarifa de 25% dos EUA: ministro acusa políticos de explorar crise comercial

Rafael Ramos
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O ministro Márcio Elias Rosa admitiu a pressão tarifária americana, mas atacou quem usa o tema eleitoralmente. Para ele, o diálogo técnico com Washington segue firme desde o início da crise.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou HOJE, 24/06/2026, que a proposta de tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve permanecer no âmbito comercial. Durante entrevista a um programa de rádio, o titular da pasta disse que o Executivo brasileiro mantém diálogo técnico com Washington desde o primeiro dia em que o tema surgiu, mas avaliou que agentes políticos tentam explorar o episódio para fins eleitorais.

“O governo Lula vem negociando com os EUA desde o 1º dia em que as decisões começaram a ser tomadas pelo governo norte-americano. Lamentavelmente, esse tema, que deveria ser apenas tratado como uma pauta comercial, às vezes assume contornos de natureza política e eleitoral, em um oportunismo que me surpreende sempre. Toda vez que surgem na cena algumas figuras com um discurso oportunista, o Brasil paga a conta”, afirmou o ministro, sem citar nomes.

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No início de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu investigação que apontou supostas práticas desleais por parte do Brasil em áreas como comércio digital, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. Como consequência, recomendou ao governo norte-americano a imposição da alíquota adicional, cuja decisão final caberá ao presidente Donald Trump.

Márcio Elias Rosa também abordou o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Segundo ele, o Pix representa inovação nacional que não deve ser utilizada como pretexto para pressões externas sobre a soberania do país.

“O Pix é nosso. O terrível problema é que algumas pessoas incentivam o governo norte-americano a ser o que ele sempre foi: muito forte, muito grande e que imagina que pode causar danos à soberania brasileira”, declarou.

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Parlamentares brasileiros se movimentam para influenciar a deliberação em Washington. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, solicitou participação em audiência pública antes da conclusão do processo. Nos documentos encaminhados, o congressista pretende argumentar que a sobretaxa prejudicaria exportadores do Brasil, importadores norte-americanos, consumidores dos EUA e a oposição interna, ao passo que, em sua visão, beneficiaria o governo federal atual.

De acordo com o relatório do USTR, a tarifa proposta abrangeria ampla lista de commodities agrícolas, manufaturados leves e bens de tecnologia. O montante em discussão envolve bilhões de dólares em fluxo comercial anual, impactando cadeias produtivas nos dois países.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, se confirmada, a medida pode elevar custos para empresas brasileiras, reduzir competitividade e aumentar preços para consumidores norte-americanos. Consultores em comércio exterior apontam que a referência de 25% de tarifa serve como ponto de partida para negociações e pode ser revista caso haja acordo em temas mencionados na investigação.

No plano diplomático, o Itamaraty acompanha o caso em coordenação com a área econômica, enquanto confederações empresariais articulam argumentos técnicos para contestar a conclusão de que haveria subsídios ou práticas anticoncorrenciais significativas.

A Casa Branca estabeleceu prazo para receber contribuições até o mês que vem. Depois disso, a equipe de Trump analisará as manifestações e elaborará recomendação definitiva. Embora não exista data exata para o anúncio, interlocutores em Washington projetam que a definição ocorrerá ainda no segundo semestre de 2026.

Enquanto aguarda o desfecho, o governo brasileiro sustenta que a via do diálogo permanece aberta e reforça a disposição de adotar contramedidas na Organização Mundial do Comércio, caso os Estados Unidos confirmem a cobrança adicional.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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