Thiago Miranda obedeceu ordem do ministro André Mendonça e entregou o passaporte à PF. A medida ocorre no avanço da Operação Compliance Zero, que mira quem questiona o Banco Central nas redes.
O publicitário Thiago Miranda entregou, nesta segunda-feira (13), seu passaporte à Polícia Federal em cumprimento à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A medida havia sido solicitada pela corporação no domingo (12) por considerar haver risco de que Miranda deixasse o país enquanto avança a 10ª fase da Operação Compliance Zero.
A investigação, iniciada em 2025, apura uma possível “atuação coordenada em redes sociais” voltada a questionar a credibilidade do Banco Central. Na última quinta-feira (9), agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do publicitário, ocasião em que foram recolhidos telefones e computadores. Segundo relatório enviado ao Supremo, Miranda havia trocado de número de celular pouco antes da ação policial.
Paralelamente, o empresário comunicou nas redes sociais o encerramento das atividades de sua agência de comunicação, a MiThi, que já estava inativa havia cerca de dez dias. Ele justificou a decisão como parte de um período de descanso após uma década de trabalho contínuo.
“Estou cansado. Foram dez anos ininterruptos, vivendo a agência 24 horas por dia, sem parar. Agora quero aproveitar um ano sabático antes de pensar no meu próximo negócio”, escreveu.
De acordo com depoimento prestado à PF, Miranda admitiu ser o responsável pela contratação de influenciadores digitais indicados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. O serviço foi apresentado como “gestão de crise” e envolvia contratos que poderiam alcançar R$ 8 milhões.
Dados coletados no celular de Vorcaro mostram que, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, ao menos 40 perfis publicaram mensagens semelhantes, sugerindo precipitação do Banco Central ao decretar a liquidação do Master e alertando para possíveis prejuízos a “pessoas comuns”. A investigação enumera também ataques direcionados ao ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro da autarquia, Renato Gomes.
As conversas interceptadas apontam que Miranda atuou como intermediário entre Vorcaro e influenciadores e que, sob o princípio de “discrição absoluta”, buscava inclusive informações privadas sobre jornalistas críticos. Mensagens de março e abril de 2025 mostram tentativas de levantar dados pessoais da colunista Malu Gaspar, sem sucesso.
Miranda ainda intermediou contatos entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), envolvendo a cobrança de R$ 62 milhões relacionados ao filme “Dark Horse”, projeto sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar sustenta que o vínculo era estritamente profissional.
Com base no material já reunido, a PF avalia se pedirá novas quebras de sigilo e o bloqueio de valores que teriam sido pagos a influenciadores. A Operação Compliance Zero segue em curso e não há, até o momento, previsão para o encerramento das investigações.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









