STF aponta indícios de desvio bilionário no RioPrevidência sob gestão Castro

Rafael Ramos
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Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro. As cúpulas abrigam os plenários da Câmara dos Deputados (côncava) e do Senado Federal (convexa), enquanto que nas duas torres - as mais altas de Brasília, com 100 metros - funcionam as áreas administrativas e técnicas que dão suporte ao trabalho legislativo diário das duas instituições. Obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em 26/05/2026 mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo o RioPrevidência – fundo previdenciário dos servidores do Estado do Rio de Janeiro – e o extinto Banco Master.

Segundo a decisão, o RioPrevidência investiu inicialmente R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Posteriormente, mais R$ 2,01 bilhões teriam sido direcionados a fundos estruturados pelo mesmo grupo econômico, totalizando R$ 2,98 bilhões em recursos públicos aplicados.

A Polícia Federal sustenta que as operações ocorreram em meio à necessidade de capitalização do banco e teriam sido facilitadas por influência política dentro do governo fluminense. A Corte entendeu que há elementos suficientes para avançar na apuração e, por isso, autorizou as diligências contra o ex-governador Cláudio Castro e demais investigados.

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Mensagens indicam que determinados investimentos dependiam de “alinhamento político” com o chefe do Executivo estadual

O documento judicial destaca a relação próxima entre Castro e Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central. De acordo com os investigadores, encontros entre ambos coincidiram temporalmente com a aprovação dos aportes financeiros pelo RioPrevidência.

Relatórios da PF citam ainda mudanças na composição da diretoria do fundo previdenciário ocorridas pouco antes do início das aplicações. Para os agentes, as alterações teriam sido decisivas para a concretização das operações consideradas irregulares, pois possibilitaram a superação de obstáculos regulatórios impostos pelo mercado.

Os mandados executados nesta terça-feira, 26/05/2026, buscavam documentos, registros eletrônicos e aparelhos de comunicação que possam comprovar a participação de agentes públicos e de executivos privados no suposto esquema. Até o momento, não há informação sobre valores recuperados ou o bloqueio de bens dos investigados.

Cláudio Castro, por meio de nota, negou qualquer irregularidade e afirmou que está à disposição das autoridades. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o fechamento desta edição. A investigação segue sob sigilo na esfera do STF.

O desenrolar do caso ganha relevância por envolver quase R$ 3 bilhões, valor que, em tese, deveria garantir o pagamento de pensões e aposentadorias do funcionalismo estadual. Especialistas em finanças públicas alertam que prejuízos dessa magnitude podem comprometer a sustentabilidade do fundo no longo prazo, pressionando ainda mais as contas do Estado.

O STF deverá analisar novos pedidos da Polícia Federal assim que os materiais apreendidos forem periciados. Caso confirmadas as suspeitas, os investigados podem responder por crimes como peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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