Starmer assina adesão britânica a fundo de €90 bi para armar Ucrânia

Robson Alves
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Londres entra no maior programa de financiamento militar da história europeia. Decisão foi anunciada em Paris e amplia pressão ocidental sobre a Rússia.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, assinou em 13 de julho de 2026 a adesão do Reino Unido a um programa de empréstimos da União Europeia destinado a sustentar o esforço de guerra da Ucrânia contra a Rússia. O ato foi anunciado durante reunião da Coalizão dos Dispostos, realizada em Paris, e encerrou meses de negociações entre Londres e Bruxelas.

O projeto europeu prevê até €90 bilhões em financiamentos para Kiev ao longo dos próximos dois anos, combinando recursos para o orçamento público ucraniano e para a compra de equipamentos militares. Segundo dados divulgados pela Comissão Europeia, somente em junho o bloco desembolsou €7,1 bilhões, sendo €3,2 bilhões para despesas correntes do governo ucraniano e quase €3,9 bilhões especificamente voltados à defesa. Um novo repasse voltado à área militar está programado para ocorrer ainda nesta semana.

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Embora tenha deixado a União Europeia em 2020, o Reino Unido participa do mecanismo por meio de acordo bilateral que mantém a autonomia britânica sobre valores e contrapartidas. O entendimento também abre espaço para que empresas de defesa instaladas em território britânico participem de licitações financiadas pelo pacote europeu, reforçando a cadeia de suprimentos de armamentos e a manutenção de postos de trabalho especializados.

"Este acordo ajudará a garantir que a Ucrânia receba o apoio necessário para se defender da agressão russa, ao mesmo tempo que apoia as empresas de defesa britânicas, mantém empregos qualificados e fortalece a nossa segurança nacional", afirmou Starmer em comunicado oficial.

"Juntos, apoiamos a corajosa resistência da Ucrânia", destacou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em publicação na rede social X.

A assinatura ocorre nos últimos dias de Starmer à frente do governo. O premiê já havia anunciado que deixará o cargo, mas não detalhou o calendário exato de transição nem indicou o nome de um sucessor. Fontes do gabinete informaram apenas que o processo será conduzido “em conformidade com os procedimentos constitucionais”.

Analistas observam que, ao aderir ao programa, Londres sinaliza continuidade do apoio militar e financeiro a Kiev, alinhando-se à postura de aliados europeus e norte-americanos. A medida também reforça o compromisso britânico com a segurança no continente, tema que dominou a agenda externa do governo Starmer desde o início da invasão russa, em 2022.

Os detalhes sobre o volume exato da contribuição britânica ainda não foram divulgados oficialmente. No entanto, autoridades envolvidas nas negociações indicam que o desembolso ocorrerá em tranches, condicionado ao cumprimento de metas de transparência e eficiência na aplicação dos recursos por parte do governo ucraniano.

Com a formalização, o Reino Unido passa a ter voz na governança do fundo, podendo propor ajustes nos critérios de distribuição e monitoramento. Representantes do Tesouro britânico e do Ministério da Defesa deverão integrar o comitê responsável pela supervisão dos desembolsos.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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