Lula se reúne nesta quarta para decidir o futuro de Jaques Wagner após operação da PF que o teve como alvo. Resistência interna no Planalto cresce contra a permanência do senador baiano no cargo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve discutir HOJE, quarta-feira (24), o futuro do senador Jaques Wagner (PT-BA) à frente da liderança do governo no Senado Federal. A reunião foi agendada após uma série de viagens do chefe do Executivo pelo país, antecipadas pelo calendário que restringe inaugurações e publicidade oficial a partir de 4 de julho.
Interlocutores do Palácio do Planalto admitem que a continuidade de Wagner no cargo enfrenta forte resistência desde a operação da Polícia Federal deflagrada em 18 de junho, na qual o parlamentar foi alvo de mandados de busca. Segundo fontes próximas ao presidente, o episódio gerou desgaste político considerável e aumentou a pressão por uma solução antes do início formal da campanha eleitoral.
“Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República”, comentou Jaques Wagner na semana passada, acrescentando que o assunto não foi tratado em telefonema recente entre os dois.
Antes de conversar com Lula, Wagner tem compromisso marcado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O objetivo é agradecer o apoio público prestado pelo chefe do Congresso logo após a operação. Na ocasião, Alcolumbre criticou o que chamou de “julgamentos antecipados” contra agentes públicos e expressou confiança na versão do colega baiano.
“Tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona”, declarou Alcolumbre aos jornalistas.
Nos últimos dias, o líder governista intensificou contatos para conter danos políticos. Ele telefonou ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar (PSD-BA), e conversou pessoalmente com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o ex-ministro Rui Costa, que devem apoiá-lo na campanha de reeleição em outubro.
Duas alternativas estão na mesa do Planalto. A primeira, considerada menos traumática, é um gesto voluntário de Wagner, que apresentaria a própria saída para evitar exposição do presidente. A segunda prevê a substituição formal, hipótese vista como “plano B” por assessores de Lula.
Se a liderança for reconfigurada, o nome mais cotado é o do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), apontado como favorito por reunir experiência administrativa e apoio interno. Outros senadores, como Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE) e Otto Alencar, chegaram a ser ventilados, mas enfrentam resistências devido ao perfil ou ao acúmulo de funções.
A definição ocorre em meio à corrida contra o tempo imposta pelo calendário eleitoral. Com a proximidade da data-limite para inaugurações governamentais, Lula intensifica viagens e busca minimizar crises que possam atrapalhar a agenda política. A decisão sobre Jaques Wagner tem peso estratégico: manter o aliado sinalizaria confiança; substituí-lo mostraria disposição para ajustes frente a investigações.
Auxiliares ressaltam que qualquer desfecho deverá preservar a relação histórica entre o presidente e o senador baiano, que remonta à fundação do PT. Ainda assim, o governo avalia que a imagem do líder no Senado precisa estar blindada para enfrentar votações sensíveis nos próximos meses.
A expectativa é que, independentemente da solução encontrada, Lula retome compromissos fora de Brasília já nesta quinta-feira (25), mantendo a agenda acelerada até o início das restrições de campanha.
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