Setor de defesa derruba bolsas europeias após reviravolta alemã

Rafael Ramos
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Mudança estratégica no programa naval da Alemanha abalou investidores nesta quarta. Índices europeus fecharam no vermelho, com exceção de Londres, que avançou 0,31%.

Os principais índices acionários da Europa encerraram o pregão em terreno negativo nesta quarta-feira (24), influenciados sobretudo pelo desempenho fraco do setor de defesa depois de sinais de mudança em um programa naval considerado estratégico pelo governo alemão. A exceção ficou por conta da bolsa de Londres, que avançou 0,31%.

No fechamento preliminar, o FTSE 100 subiu para 10.461,63 pontos, enquanto o DAX de Frankfurt cedeu 0,71%, a 24.716,24 pontos. Em Paris, o CAC 40 avançou 0,54%, a 8.385,49 pontos. Já em Milão, o FTSE MIB recuou 0,74%, para 51.638,94 pontos; em Madri, o Ibex 35 caiu 0,46%, a 19.386,40 pontos; e em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,88%, fechando a 9.055,89 pontos.

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O movimento negativo foi liderado pela fabricante alemã Rheinmetall, que despencou aproximadamente 19% após informações de que Berlim pretende abandonar o projeto de seis fragatas F126, estimado em cerca de 12 bilhões de euros.

“A decisão pode comprometer a meta anual de entrada de pedidos da companhia”, comentaram analistas do JPMorgan.

Outras empresas ligadas ao setor também recuaram: Renk caiu 6,3%, Hensoldt perdeu 4% e a italiana Leonardo cedeu 4,9%. Na direção oposta, a TKMS avançou 14,8%, diante da possibilidade de ser contemplada como fornecedora em uma alternativa ao programa naval.

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O subíndice europeu de defesa recuou 1,1%, enquanto o de energia desvalorizou 2,3% e o de recursos básicos, 2,9%. O enfraquecimento dessas carteiras ocorreu em meio à perspectiva de avanço em um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, o que contribuiu para a queda acentuada dos preços do petróleo e de metais como cobre e ouro.

Entre as notícias corporativas, a britânica Segro subiu 17% após rejeitar proposta de aquisição de 12,6 bilhões de libras feita pela norte-americana Prologis, indicando confiança na estratégia de crescimento independente.

No front macroeconômico, o índice Ifo de sentimento das empresas alemãs avançou de 85 para 85,6 pontos em junho, registrando a segunda alta consecutiva.

“O segundo avanço consecutivo do indicador reforça um retorno gradual do otimismo entre as companhias, impulsionado pela perspectiva de custos de energia menores”, avaliou o ING. O banco, porém, ponderou que o Produto Interno Bruto da Alemanha ainda pode encolher no segundo trimestre.

Além da cautela com o setor de defesa, investidores monitoraram o humor global com empresas de tecnologia, após sessões voláteis em Nova York nos últimos dias. Em contrapartida, a deterioração das commodities energéticas ajudou a limitar parte das perdas em alguns mercados, especialmente os mais dependentes de importação de petróleo.

Apesar das variações negativas desta quarta-feira, estrategistas ressaltam que o contexto mais amplo permanece indefinido, encontrando suporte em expectativas de cortes de juros pelos principais bancos centrais nos próximos meses, mas pressionado pela persistência de incertezas geopolíticas e pela sazonalidade típica do verão no hemisfério norte.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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