Com placar apertado de 50 a 48, o Senado americano aprovou resolução que limita poderes militares de Trump frente ao Irã. O presidente reagiu com dureza e chamou a medida de inoportuna e sem sentido.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu na noite de 23/06 à aprovação, pelo Senado norte-americano, de uma resolução que busca limitar sua autoridade para manter ações militares contra o Irã. Em mensagem divulgada na Truth Social, o chefe do Executivo classificou a iniciativa legislativa como “inoportuna e sem sentido”.
Pela contagem final, 50 senadores votaram a favor do texto e 48 se posicionaram contra. Quatro republicanos — Rand Paul, Susan Collins, Lisa Murkowski e Bill Cassidy — uniram-se aos democratas, enquanto o democrata John Fetterman votou com a bancada republicana. O resultado representa um sinal de desaprovação bipartidária às recentes movimentações militares do governo no Oriente Médio.
A resolução, já aprovada pela Câmara dos Representantes no início do mês, determina que o presidente retire as forças armadas de quaisquer hostilidades contra o Irã que não tenham autorização formal do Congresso. Por se tratar de uma resolução concorrente, o texto não exige assinatura presidencial e, portanto, não tem força de lei, mas expressa a posição do Legislativo sobre o tema.
“O Senado dos EUA decide realizar uma votação inoportuna e sem sentido sobre a Lei de Poderes de Guerra, dizendo ao maior patrocinador do terrorismo do mundo que os Estados Unidos não gostam do que estou fazendo contra eles e que eu devo parar”, escreveu Trump.
Em outra publicação, o republicano dirigiu críticas diretas aos colegas de partido que apoiaram a medida.
“Quatro republicanos fracassados votaram com os ‘dumocratas’, e o Irã perguntou às minhas pessoas: ‘o que tudo isso significa?’. Esses senadores acabaram de tornar meu trabalho mais difícil, mas eu vou concluir o que precisa ser feito, de uma forma ou de outra, porque eu sempre consigo”, afirmou o presidente.
A votação reforça o debate sobre o alcance dos poderes de guerra do Executivo. Desde que foi aprovada a Lei de Poderes de Guerra de 1973, o Congresso vem buscando mecanismos para limitar intervenções militares sem autorização prévia. Embora a resolução de 23/06 não seja vinculativa, ela aumenta a pressão política sobre a Casa Branca e sinaliza descontentamento com a possibilidade de um novo confronto armado no Golfo Pérsico.
Levantamento citado durante as discussões indica que seis em cada dez norte-americanos consideram um eventual conflito com o Irã um erro. O resultado reforçou a posição de senadores favoráveis à contenção da escalada militar. Parte da oposição republicana, entretanto, argumenta que restringir o comandante-em-chefe pode comprometer a capacidade de resposta dos Estados Unidos a ameaças externas.
Até o momento, a Casa Branca não anunciou mudanças operacionais. Assessores presidenciais afirmam que, apesar da mensagem política, a resolução não altera o status legal das forças já presentes na região. Nos próximos dias, congressistas que apoiaram o texto pretendem articular novas estratégias legislativas para transformar a manifestação em obrigação legal.
Trump, por sua vez, mantém a avaliação de que a flexibilidade operacional é essencial para proteger interesses americanos e aliados. A troca de acusações evidencia, mais uma vez, a divisão em Washington sobre a condução da política externa no Oriente Médio e a extensão dos poderes de guerra concedidos ao Executivo.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









