Sarampo – A confirmação da doença em um bebê de seis meses em São Paulo acendeu o alerta para a importância de manter altas coberturas vacinais, apontam especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).
Viagem à Bolívia e primeiro caso de 2026
A criança, que ainda não possuía idade para receber a vacina, viajou com a família para a Bolívia em janeiro. O país vizinho enfrenta surto de sarampo desde 2025, e o episódio se tornou o primeiro registro da infecção no Brasil em 2026.
Calendário do SUS e efeito barreira
O Sistema Único de Saúde aplica a tríplice viral – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola – aos 12 meses, seguida da tetra viral, que inclui catapora, aos 15 meses.
Renato Kfouri, vice-presidente da Sbim, ressalta que a imunização coletiva protege quem ainda não pode ser vacinado.
“A vacina do sarampo impede infecção e transmissão com alta efetividade. Ela é esterilizante, bloqueia que a pessoa se torne transmissora”, explicou.
Queda na cobertura vacinal
Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema no período recomendado. Segundo Kfouri, taxas elevadas são decisivas para barrar vírus importados.
“O sarampo é altamente transmissível entre não vacinados. Se a cobertura não estiver alta, o risco permanece mesmo sem viajar”, alertou.
Doses recomendadas para outras faixas etárias
Pessoas de 5 a 29 anos devem tomar duas doses com intervalo de um mês. Entre 30 e 59 anos, é indicada uma dose única. A vacina é contraindicada para gestantes e imunocomprometidos.
Certificado de área livre mantido
Apesar de 38 casos (majoritariamente importados) registrados em 2025, o Brasil manteve, em 2024, o certificado de eliminação concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde. O país já havia conquistado o selo em 2016, mas o perdeu em 2019 após surtos iniciados por casos externos.
Cenário nas Américas
O continente registrou 14.891 casos e 29 mortes em 2025. Até 5 de março de 2026, já foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior, com maior concentração em México, Estados Unidos e Guatemala.
“Em geral, há um óbito a cada mil casos, mas a proporção tem sido maior. Complicações frequentes incluem pneumonia e encefalite”, detalhou Kfouri.
Sintomas e risco de imunossupressão
A doença provoca manchas vermelhas na pele, febre alta, tosse, coriza, irritação ocular e mal-estar. Kfouri acrescenta que, de três a seis meses após a infecção, o vírus pode suprimir o sistema imunológico, aumentando a vulnerabilidade a outras doenças oportunistas.
Fonte: Agência Brasil
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