O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que parte das demissões anunciadas por companhias tem sido atribuída de maneira exagerada ao avanço da inteligência artificial. A crítica foi feita durante transmissão de TV nesta quinta-feira (19), na Cúpula do Impacto da IA, realizada na Índia.
Ao tratar do tema, Altman introduziu o termo “AI washing” para definir a prática de usar a tecnologia como justificativa genérica para cortes que ocorreriam por outros motivos. “Existe um certo ‘AI washing’, em que as pessoas culpam a IA por demissões que elas mesmas fariam”, disse o executivo. Ele reconheceu que há substituição real de algumas funções, mas destacou que nem todo desligamento está relacionado à automação.
Estudos contestam impacto imediato da IA
Levantamentos divulgados recentemente reforçam a avaliação de Altman. Pesquisa do National Bureau of Economic Research, conduzida com executivos de alto escalão nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália, revelou que cerca de 90% dos entrevistados não observaram ganhos relevantes de produtividade decorrentes da IA nos três anos que se seguiram ao lançamento do ChatGPT.
Outro indício vem de um relatório do Yale Budget Lab, baseado em estatísticas oficiais dos Estados Unidos até novembro de 2025. O estudo não encontrou mudanças significativas nem nos níveis de desemprego nem na distribuição de ocupações mais expostas à tecnologia.
Discurso alarmista ainda persiste
Mesmo com a ausência de evidências macroeconômicas contundentes, parte da indústria mantém tom de urgência. Dario Amodei, presidente da Anthropic, chegou a prever um “banho de sangue” no segmento de trabalho de escritório. Já Sebastian Siemiatkowski, da Klarna, declarou que o banco digital pode reduzir um terço de sua força de trabalho até 2030, atribuindo parte da decisão à aceleração da IA.
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Projeções do Fórum Econômico Mundial apontam na mesma direção: cerca de 40% dos empregadores consultados dizem esperar enxugar equipes nos próximos anos em razão do uso crescente de ferramentas baseadas em inteligência artificial.
“AI washing” x automação real
Para Altman, a chave é separar efeitos concretos de argumentos convenientes. O executivo lembrou que qualquer revolução tecnológica acarreta transformação no mercado, mas avaliou que o estágio atual ainda não justifica a magnitude de alguns cortes noticiados. “Encontraremos novos tipos de trabalho, como em toda revolução tecnológica”, declarou.
Na prática, o conceito de “AI washing” reforça a necessidade de transparência corporativa. Ao atribuir demissões à IA sem comprovação, empresas podem distorcer a percepção pública sobre a tecnologia e inflar temores relativos à empregabilidade.
Enquanto especialistas seguem avaliando impactos de longo prazo, os dados disponíveis indicam que a inteligência artificial ainda não provocou mudanças estruturais no número de vagas, embora a adoção de sistemas automatizados deva crescer nos próximos anos. Para Altman, reconhecer essa diferença é fundamental para um debate equilibrado sobre o futuro do trabalho.
Com informações de Tecnoblog
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