Rússia bombardeia Odesa, mata 3 civis e destrói porto estratégico

Robson Alves
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Explosões russas atingiram prédios e estruturas portuárias em Odesa nesta quarta (15). Três mortos e outros três hospitalizados. Ofensiva mira infraestrutura vital da Ucrânia.

Um bombardeio russo contra a cidade portuária de Odesa, no Mar Negro, matou três pessoas nesta quarta-feira (15) e deixou outras três hospitalizadas, segundo Serhiy Lysak, chefe da administração militar local. As explosões, que atingiram prédios residenciais e estruturas ligadas às operações marítimas, ocorreram em meio a uma escalada de ofensivas da Rússia contra terminais estratégicos da Ucrânia.

Lysak relatou que os feridos foram encaminhados a unidades de saúde da região. Até o momento, as equipes de resgate não divulgaram detalhes sobre a condição das vítimas nem o tipo de munição empregada. As autoridades mantêm buscas por possíveis desaparecidos entre os escombros.

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“Edifícios residenciais foram danificados, e equipes médicas continuam em alerta máximo”, descreveu Lysak em mensagem divulgada no Telegram.

Na véspera, na terça-feira (14), o governador regional Oleh Kiper confirmou que dois civis morreram durante um ataque noturno com drones contra instalações portuárias da mesma região. Ele acrescentou que uma embarcação comercial com bandeira das Ilhas Marshall também foi avariada.

No mesmo período, o Ministério da Defesa da Rússia informou ter realizado operações contra portos ucranianos utilizados — segundo Moscou — para transportar cargas destinadas ao Exército ucraniano. O comunicado oficial menciona a destruição de quatro embarcações, além de áreas de estocagem de combustíveis e lubrificantes.

As ações não se limitaram a Odesa. Na vizinha Mykolaiv, projéteis russos lançados com drones na madrugada de quarta-feira deixaram um homem ferido, conforme o governador Vitaliy Kim. Ele relatou danos a armazéns e tanques de combustível.

Em resposta, Kiev afirmou ter atingido 20 embarcações russas no Mar Negro na noite anterior, entre elas 17 navios-tanque de petróleo, dois navios-tanque de gás e um rebocador. O dado foi divulgado por Robert Brovdi, comandante das forças de drones ucranianas.

“Os alvos incluíram navios-tanque essenciais para a logística energética russa”, declarou Brovdi na mesma plataforma.

Enquanto os ataques prosseguiam, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desembarcou na capital ucraniana para discutir apoio militar e industrial.

“Vou anunciar novas iniciativas para integrar nossas indústrias de defesa. Assim poderemos produzir mais e mais rápido”, disse a líder europeia em publicação na rede social X, ao chegar a Kiev.

Analistas observam que Odesa exerce papel vital na economia da Ucrânia, pois concentra portos de águas profundas usados para escoar grãos e outros produtos. Desde o início do conflito, esses terminais se tornaram alvos recorrentes, colocando em risco as rotas de exportação do país.

Autoridades ucranianas pedem reforço dos sistemas de defesa aérea para proteger infraestruturas civis e corredores marítimos. Já Moscou justifica as ofensivas alegando que os locais servem para movimentar suprimentos militares. Até o momento, não há confirmação independente sobre os números de perdas materiais reivindicadas por ambos os lados.

O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir ainda esta semana para avaliar o impacto dos recentes ataques na segurança alimentar global. Diplomatas buscam reativar mecanismos que permitam o livre fluxo de cargas agrícolas pelo Mar Negro, tema considerado crucial por organismos internacionais.

Sem cessar-fogo à vista, os ataques aéreos e navais de cada lado mantêm a tensão elevada na região sul da Ucrânia, prolongando os riscos para a população civil e para o comércio internacional que depende dos portos do Mar Negro.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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