Rubio ignora Flávio Bolsonaro e mantém tarifas de 25% sobre o Brasil

Robson Alves
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Washington não recuou. O secretário de Estado dos EUA respondeu ao senador e reafirmou as tarifas que ameaçam produtos brasileiros. A resposta expõe o peso real da política comercial de Trump para o bolso do cidadão.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na qual sustenta a posição do governo norte-americano favorável à aplicação de tarifas de 25% sobre praticamente todas as importações brasileiras. O documento foi divulgado nesta sexta-feira, 26 de junho, pela equipe de campanha do parlamentar, que é pré-candidato à Presidência da República.

No início do mês, Flávio Bolsonaro havia solicitado ao governo norte-americano que excluísse o Brasil do chamado “tarifaço”. Na resposta, Rubio recorda o entendimento do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de que determinadas práticas adotadas pelo Brasil — entre elas políticas para o comércio digital, tarifas específicas e ações relacionadas ao desmatamento ilegal — podem ser enquadradas na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, dispositivo que autoriza Washington a investigar e retaliar parceiros considerados praticantes de atos desleais.

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“Essa determinação e as medidas corretivas propostas decorrem de investigação iniciada em julho de 2025 por orientação específica do presidente Trump”, escreveu o chefe da diplomacia norte-americana.

Rubio informa que o embaixador Jamieson Greer, chefe do USTR, colocou em consulta pública um pacote de medidas corretivas antes de qualquer decisão definitiva. A audiência sobre o tema está marcada para 6 de julho, e, segundo o secretário, todas as partes interessadas no Brasil poderão apresentar manifestações. Os pedidos de inscrição, contudo, tinham de ser protocolados até 22 de junho. Fontes ligadas ao Itamaraty indicam que o governo brasileiro não deve enviar representantes à sessão.

O secretário detalha as áreas em que Washington vê “divergências substanciais” com Brasília: comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, preferências tarifárias, aplicação de medidas anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

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“Continuamos a ter divergências substanciais quanto à resolução das questões identificadas nesta investigação”, afirma Rubio.

Além da temática comercial, o texto menciona o cenário eleitoral brasileiro. Rubio comenta o “otimismo” de Flávio Bolsonaro com a disputa deste ano e sinaliza abertura para diálogo futuro. “Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro a fim de buscar um quadro de comércio e investimento abrangente, justo e mutuamente benéfico”, diz o chefe do Departamento de Estado.

Rubio também agradece o apoio público do senador brasileiro à decisão norte-americana de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida anunciada recentemente pelo governo dos EUA.

“Ao atacarmos suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano contra o crime organizado transnacional”, destaca Rubio na correspondência.

Com a manutenção da proposta de tarifa de 25%, a tensão comercial entre os dois países permanece. Caso o pacote seja efetivado, será a primeira vez desde 2018 que Washington adota barreiras generalizadas contra produtos brasileiros. Setores como agronegócio, siderurgia e bens de consumo monitoram o desenrolar das negociações, enquanto especialistas alertam para possíveis impactos na balança comercial bilateral, que registrou superávit de US$ 4,8 bilhões para o Brasil em 2025.

Por ora, o governo brasileiro avalia internamente a estratégia jurídica e diplomática a ser adotada. Integrantes do setor privado defendem a continuidade do diálogo, mas admitem que o calendário eleitoral nos dois países tende a dificultar um desfecho rápido. A próxima etapa formal será a audiência do dia 6 de julho, quando o USTR deverá ouvir contribuições de empresas, associações e, se comparecerem, representantes oficiais do Brasil.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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