Zagueiro do Atlético-MG acusa o ex-clube de negligência no tratamento de uma lesão no joelho. A ação trabalhista inclui danos morais, gastos médicos e direitos de imagem.
O zagueiro Ruan Tressoldi, hoje no Atlético-MG, ajuizou ação trabalhista contra o São Paulo Futebol Clube na 4ª Vara do Trabalho de São Paulo. Ele pede indenização próxima de R$ 14 milhões por danos morais, gastos médicos, direitos de imagem e compensação de seguro, alegando falhas no tratamento de uma lesão sofrida em 11/05/2025, durante partida do Campeonato Brasileiro contra o Palmeiras.
De acordo com a petição inicial, apresentada pelas advogadas Mariju Maciel e Marina Maciel, o clube paulista teria mantido o atleta em campo mesmo após queixa de dores no joelho direito. A defesa sustenta que, em 15/05/2025, ressonância magnética já apontava lesão meniscal, edema e alterações no tendão patelar – quadro que, segundo os documentos anexados, não existia no exame admissional de agosto de 2024.
O processo afirma ainda que o departamento médico tricolor recorreu a infiltrações e a terapia com PRP (plasma rico em plaquetas) – procedimento classificado como experimental pelo Conselho Federal de Medicina – sem obter consentimento adequado do jogador. Cinco dias depois do exame, em 20/05/2025, Ruan voltou a atuar, contra o Náutico, pela Copa do Brasil, e só foi afastado depois dessa partida.
Ruan defendeu o São Paulo entre 2024 e 2025, período em que disputou 23 jogos. Ele passou por cirurgia paga do próprio bolso e, desde então, alega ter perdido oportunidades profissionais e de negociação.
“Ingresso na Justiça porque acredito ter tido direitos violados. Estava em jogo o meu joelho, a minha carreira e o meu futuro”, aponta nota da defesa.
O documento reforça que o atleta permaneceu em silêncio “por respeito ao clube e à torcida”, mas decidiu recorrer ao Judiciário para proteger sua integridade física e sua reputação profissional.
O São Paulo ainda não apresentou contestação formal, prazo que será fixado pela juíza responsável após a citação. Até lá, o clube pode se manifestar ou buscar acordo extrajudicial. Caso a ação prossiga, peritos serão nomeados para avaliar laudos, prontuários e eventuais sequelas.
Especialistas ouvidos pelo portal lembram que, em disputas semelhantes, o sucesso do reclamante costuma depender do nexo entre o ato médico e a lesão agravada, bem como da prova de que houve desrespeito ao consentimento informado. No futebol profissional, lesões no joelho figuram entre as mais comuns e podem encurtar carreiras, afetando valores de mercado e contratos de patrocínio.
A legislação brasileira garante ao atleta empregado os mesmos direitos trabalhistas de qualquer profissional, incluindo ambiente de trabalho seguro. Há precedentes no Tribunal Superior do Trabalho reconhecendo responsabilidade de clubes por procedimentos médicos inadequados.
Não há data para audiência inicial. Caso não haja acordo, o processo seguirá para instrução, perícia e, por fim, sentença de primeiro grau, passível de recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Enquanto aguarda o desfecho, Ruan Tressoldi segue integrado ao elenco do Atlético-MG, que disputa o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana.
A ação reforça debate sobre a proteção à saúde de atletas de alto rendimento e o limite entre pressão competitiva e responsabilidade médica na gestão de elencos.

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