O verão britânico fechou com média de 16,5°C, a maior desde 1884. Dado do Met Office supera a marca de 2025 e evidencia a sucessão de eventos extremos.
O Reino Unido encerrou o verão de 2026 com a temperatura média mais alta já observada pelo serviço meteorológico nacional, o Met Office. Dados provisórios divulgados HOJE, 1º de setembro, indicam média de 16,5 °C entre junho e agosto, superando o recorde estabelecido em 2025 e confirmando a tendência de aquecimento acelerado no arquipélago.
De acordo com a série histórica iniciada em 1884, os cinco verões mais quentes ocorreram de 2003 para cá. Técnicos do órgão calcularam que, em um clima sem influência de gases de efeito estufa de origem humana, a chance de um verão tão quente seria de uma em mil. No cenário atual, a probabilidade sobe para uma em nove temporadas, o que, na avaliação do centro, evidencia o impacto da queima de combustíveis fósseis sobre o regime de temperatura.
“Devemos agora esperar que eventos desta magnitude aconteçam aproximadamente a cada nove anos”, disse Mark McCarthy, responsável pela área de atribuição climática do Met Office.
A marca foi atingida apesar de o pico absoluto de calor não ter quebrado o recorde nacional. O termômetro chegou a 38,1 °C em Londres no dia 13 de agosto, o que coloca a data como o quinto dia mais quente desde o início dos registros britânicos. Mesmo assim, a combinação de temperatura elevada e déficit hídrico levou o governo a declarar estado de seca em grande parte do território.
No campo, agricultores relatam perdas significativas. A produção de cereais caminha para ser a menor desde 1984, quando começou a série comparável. O calor prolongado também favoreceu incêndios florestais que, em alguns casos, atingiram áreas residenciais. Autoridades locais intensificaram campanhas de prevenção e reforçaram equipes de bombeiros durante todo o mês de agosto.
Especialistas chamam atenção para o segundo recorde consecutivo de verão no país. Em 2025, o Reino Unido já havia vivido a estação mais quente da história até então, sinalizando, segundo análises internas do Met Office, que “o calor extremo está se tornando cada vez mais normal”. A repetição do fenômeno em 2026 confirma o alerta.
O impacto britânico foi relativamente brando se comparado a episódios mais severos registrados na Europa continental, onde ondas de calor provocaram milhares de mortes, interrupções no fornecimento de energia e fechamento temporário de escolas. Ainda assim, as estatísticas reforçam a discussão sobre adaptação de infraestrutura, segurança hídrica e políticas de mitigação de emissões.
Nos próximos meses, o Met Office deve consolidar os números finais do verão e publicar um relatório detalhado com projeções para o outono e o inverno. Pesquisadores preveem que, caso as emissões globais permaneçam nos níveis atuais, verões parecidos com o de 2026 podem deixar de ser exceção para se tornarem parte do novo normal climático britânico.
Para o setor agrícola, associações já pedem um pacote de apoio emergencial, enquanto empresas de abastecimento de água alertam para a necessidade de investimento em reservatórios e redes de distribuição. O Parlamento britânico debate medidas, mas ainda não há consenso sobre a escala dos recursos a serem destinados.
Apesar das incertezas, a conclusão do Met Office é clara: o verão de 2026 marca mais um passo na escalada de temperaturas no Reino Unido e reforça a urgência de adaptações de curto e longo prazo para minimizar impactos econômicos, sociais e ambientais.
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