Rede elétrica brasileira não aguenta data centers sem novos leilões

Rafael Ramos
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A explosão da inteligência artificial no Brasil escancarou um gargalo crítico: a infraestrutura de energia não suporta a demanda dos data centers. Executivo da Siemens Energy cobra ação imediata do governo.

A chegada de grandes centros de processamento de dados ao Brasil, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, reacendeu o debate sobre a infraestrutura de transmissão de energia no país. Para Alexandre Formiga, vice-presidente de Grid Solutions para a América Latina da Siemens Energy, o sistema elétrico nacional ainda não dispõe da robustez necessária para suportar a demanda adicional que virá com os novos data centers.

Segundo o executivo, reforçar a rede passa, sobretudo, por antecipar e ampliar os leilões de ativos de transmissão. Ele argumenta que um número maior de lotes licitados pode criar uma espinha dorsal capaz de acomodar cargas concentradas e de alta potência, típicas desses empreendimentos.

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“Aumentar o número de lotes e de leilões de transmissão é extremamente importante para fortalecer o nosso backbone do grid. Quanto mais subestações e linhas tivermos, mais oportunidades surgem para conectar novos data centers e tecnologias”, afirmou.

Formiga também defendeu os chamados leilões de conexão, mecanismo competitivo em que diferentes interessados disputam direito de acesso a um mesmo ponto da rede. Esse formato, lançado em dezembro de 2025, busca conter a fila de solicitações que hoje excede a capacidade de atendimento em regiões estratégicas. No modelo, vence quem oferecer o maior bônus financeiro por quilowatt de capacidade disponível.

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“É um processo igual para todos e tende a atrair investidores comprometidos, porque exige garantias reais para assegurar o acesso ao sistema”, disse o executivo.

Além dos certames, ele propôs soluções tecnológicas complementares, como a instalação de baterias de grande porte para flexibilizar o despacho de energia e o uso de dispositivos FACTS (Sistemas Flexíveis de Transmissão em Corrente Alternada) a fim de mitigar oscilações e distúrbios provocados pela alta carga dos data centers.

“Antecipar todos esses passos é essencial para não perdermos uma onda de investimentos que pode ser determinante para o desenvolvimento econômico do país”, ressaltou.

O impacto da inteligência artificial sobre o setor elétrico ganhou relevância após o lançamento do ChatGPT, em dezembro de 2022. De acordo com Formiga, a nova indústria multiplicou por dez a necessidade estimada de energia, alterando projeções históricas de consumo.

“Em um horizonte de cinco anos, o consumo dos data centers pode crescer até dez vezes. Hoje não estamos prontos. Precisamos avançar em regulação, reforços estruturais e inovação para acompanhar essa expansão”, concluiu.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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