Putin afirma avanço russo e fecha porta para negociação com Ucrânia

Robson Alves
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Em cúpula no Quirguistão, o presidente russo disse que Moscou mantém a iniciativa na guerra. Ele admitiu danos provocados por drones ucranianos dentro da Rússia.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira, 01/09, que as forças russas “estão vencendo” a guerra na Ucrânia e que não vê possibilidade de negociar com o que chamou de “terroristas”. A declaração foi dada durante entrevista coletiva na 26ª Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, realizada em Bishkek, no Quirguistão.

Putin reconheceu que os ataques ucranianos em território russo, sobretudo com drones, causam “danos reais” e representam um desafio operacional. Ainda assim, insistiu que Moscou mantém a iniciativa militar.

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“Não tenho dúvidas de que o inimigo entrará em colapso”

, disse o líder russo, sem especificar prazos.

Questionado sobre rumores de uma nova mobilização de reservistas, o presidente classificou a hipótese como “absurdo total”. Ele também relatou, sem apresentar provas públicas, que tropas russas teriam conquistado 270 km² na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, durante o mês de agosto, cercando um contingente significativo de soldados ucranianos. Até o momento, não há confirmação independente dessas informações.

Putin declarou que suas forças avançam rumo às cidades de Sloviansk e Kramatorsk, pontos estratégicos na linha de frente. Segundo ele, unidades russas preparam novos ataques contra a infraestrutura energética ucraniana, estratégia já adotada em invernos anteriores para pressionar Kiev.

O presidente também reagiu a uma advertência do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, de que drones de Kiev poderiam fechar o espaço aéreo russo. Para Putin, a ameaça caracteriza “terrorismo de Estado” e receberá resposta proporcional se concretizada.

“Negociar com terroristas é impossível”,

afirmou, acrescentando, porém, que Moscou permanece aberta a “negociações concretas” capazes de dar “novo impulso” a um eventual acordo de paz.

O conflito entrou em seu quinto ano desde a invasão russa de fevereiro de 2022. Ao longo desse período, diversas rodadas de diálogo — como as de Istambul em março de 2022 — fracassaram diante de exigências incompatíveis entre as partes. A Ucrânia insiste na retirada completa das tropas russas de territórios ocupados, enquanto o Kremlin exige o reconhecimento da anexação de regiões como Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

Analistas apontam que a fala de Putin busca reforçar a narrativa de força às vésperas do inverno no leste europeu, quando cortes de energia podem aumentar a pressão sobre a população ucraniana. Ao mesmo tempo, o Kremlin tenta suprimir especulações internas sobre uma nova mobilização em ano eleitoral na Rússia.

Observadores internacionais avaliam que o impasse militar e diplomático tende a prolongar-se, com a Rússia investindo em ataques de longo alcance e a Ucrânia respondendo com operações de sabotagem em território russo. A próxima reunião ministerial da Organização de Cooperação de Xangai, prevista para dezembro, pode oferecer outra oportunidade de diálogo indireto, mas nenhum dos lados sinaliza concessões significativas até o momento.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.
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