PT quer colar Tarcísio em Flávio Bolsonaro para desgastar favorito em SP

Rafael Ramos
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SP - SP/GUARUJÁ/POLÍCIA/OPERAÇÃO/MORTES/TARCÍSIO DE FREITAS - POLÍTICA - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concede entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 31 de julho de 2023, para detalhar os resultados da operação que prendeu 15 criminosos na região central da capital neste domingo (30), bem como sobre a prisão do autor do disparo que matou o soldado PM Reis, no Guarujá. A operação da Polícia Militar no Guarujá ao longo do fim de semana deixou oito pessoas mortas. 31/07/2023 - Foto: RONALDO SILVA/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A pré-campanha de Haddad admite estratégia para nacionalizar a disputa e elevar a rejeição de Tarcísio. O plano mira associar o governador a figuras polêmicas e virar o jogo nas pesquisas.

Integrantes da pré-campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo informaram, em 13/07/2026, que pretendem concentrar esforços em temas nacionais para elevar a rejeição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que hoje aparece com larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto. A ideia central é aproximar a imagem do chefe do Executivo paulista à do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cuja candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro enfrenta turbulências internas.

De acordo com esses interlocutores, a avaliação interna é que a disputa eleitoral deve ser “nacionalizada”. O raciocínio é que eventuais desgastes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro podem respingar em Tarcísio ao longo da campanha. A movimentação inclui a divulgação de peças publicitárias, entrevistas e participação em debates com referências diretas aos problemas enfrentados pelos aliados bolsonaristas.

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Um dos pontos citados para compor a narrativa envolve a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Petistas projetam que a conexão, ainda sob investigação em diferentes frentes, pode servir para questionar a solidez do arco de alianças que sustenta o atual governador.

Outro episódio considerado sensível é o atrito familiar entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em vídeo recente, Michelle acusou o enteado de “humilhação” durante telefonema, o que resultou em seu anúncio de que não auxiliará a campanha do senador e, inclusive, colocou em dúvida sua permanência no PL. Para a campanha petista, o episódio reforça a percepção de desorganização no campo bolsonarista.

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“A população precisa compreender que o modelo político que sustenta Tarcísio é o mesmo que hoje se desgasta em Brasília”, relatou um estrategista da coligação petista, sob condição de reserva.

Aliados de Tarcísio, contudo, rechaçam a tese de nacionalização. Segundo fontes próximas ao governador, a campanha pretende concentrar o debate em entregas da gestão paulista — como obras de infraestrutura, programas de segurança pública e indicadores de educação —, minimizando a participação de atores externos. Essas lideranças admitem que agendas conjuntas com Flávio Bolsonaro deverão ser reduzidas, mas não descartam aparições pontuais ao longo do período eleitoral.

A equipe de Tarcísio sustenta que a tentativa de associá-lo a disputas internas do PL pode se voltar contra os adversários, por representar, na prática, o reconhecimento de que não há vulnerabilidades diretas em sua administração estadual. Eles argumentam que eventuais ataques precisam ser comprovados e que a rejeição ao governador permanece controlada, mesmo após episódios que envolveram antigos colaboradores.

Nos próximos dias, ambas as pré-campanhas devem intensificar reuniões para definir formatos de propaganda, presença em eventos e estratégia digital. A fase oficial da campanha começa em agosto, quando as coligações estarão liberadas para pedir votos explicitamente e apresentar programas de governo detalhados. Até lá, a disputa por narrativas continuará nos bastidores, com os dois grupos analisando pesquisas internas e testando mensagens capazes de ampliar sua base de apoio ou, no mínimo, reduzir o entusiasmo do adversário.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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