O PT está às cegas para 2026 em Minas Gerais. Com Pacheco fora e Marília Campos resistindo, o partido enfrenta vácuo político num dos estados mais disputados do país.
O Partido dos Trabalhadores segue sem definição sobre quem liderará a chapa ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A incerteza se intensificou depois que o senador Rodrigo Pacheco (PSB) desistiu da disputa no fim de maio. Desde então, dirigentes estaduais passaram a avaliar alternativas internas e externas, mas o consenso ainda não foi alcançado.
No momento, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos desponta como favorita entre os filiados. Apesar disso, a própria dirigente considera que uma candidatura petista ao Palácio Tiradentes seria um equívoco estratégico, reiterando sua prioridade na pré-campanha ao Senado.
Pesquisas de opinião apontam o senador Cleitinho (Republicanos-MG) na liderança pela sucessão estadual, cenário que dificulta o projeto petista de retorno ao Executivo mineiro. Diante dessa conjuntura, integrantes do partido avaliam que concentrar forças na eleição proporcional pode render mais cadeiras no Congresso.
O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, que inicialmente rejeitava o nome de Marília para o governo, deve reunir-se com a ex-prefeita no fim de semana para discutir o impasse. Caso ela aceite migrar para a disputa pelo Executivo, abre-se espaço para outras composições internas ao Senado.
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Entre os cotados, estão o deputado federal Reginaldo Lopes e a secretária nacional de Planejamento e Finanças, Gleide Andrade. Se Marília mantiver a pré-candidatura ao Senado — hipótese vista como a mais provável — Reginaldo e Gleide permanecem na corrida pela Câmara. Caso ela decline, Reginaldo poderia ser deslocado à disputa senatorial, favorecendo Gleide na tentativa de ampliar a bancada petista na Casa.
“As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o Estado” — afirmou Leninha, presidente estadual da legenda, após encontro com o presidente da República em 24 de junho.
A reunião, realizada no Palácio da Alvorada, contou com deputados federais mineiros e dirigentes estaduais. Ao término, o nome de Marília emergiu como preferido, ainda que sem unanimidade. No entanto, interlocutores da ex-prefeita alegam que somente o presidente poderia convencê-la a trocar a corrida ao Senado pela disputa governamental.
“Embora legítima do ponto de vista partidário, lançar chapa própria representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no Estado” — argumentou Marília em nota.
A lembrança de 2022 também pesa: naquele ano, Reginaldo Lopes retirou sua candidatura ao Senado para abrir espaço ao hoje ministro Alexandre Silveira (PSD), viabilizando a aliança que apoiou a vitória presidencial. Alguns dirigentes defendem que Marília realize gesto semelhante; outros temem perder uma pré-candidata bem posicionada nas pesquisas para a Casa Alta.
Nos bastidores, a avaliação segue dividida. De um lado, a necessidade de apresentar um nome competitivo ao governo de Minas; de outro, o cálculo de que manter Marília no Senado garante palanque de apoio ao presidente e fortalece a representação feminina. Até que o partido chegue a uma decisão, o palanque mineiro continua marcado por indefinições e trocas de acusações sobre quem deve ceder na formação da chapa.
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