Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado e abre briga interna no PT. Camilo Santana lidera preferências por ter acesso direto a Lula e boa relação com Alcolumbre.
A decisão do senador Jaques Wagner (PT-BA) de deixar a liderança do governo no Senado abriu, na última semana, uma disputa interna pela definição de seu sucessor. Nos bastidores do Palácio do Planalto e da bancada petista, o nome mais citado é o do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e aliado de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com interlocutores próximos ao governo, Santana consolidou sua posição por reunir duas credenciais consideradas essenciais: trânsito livre junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e experiência em negociação parlamentar após ter comandado o Ministério da Educação. Mesmo durante os momentos de tensão entre Lula e Alcolumbre, provocados por indicações ao Supremo Tribunal Federal, o senador cearense manteve diálogo direto com o presidente da Casa e esteve ao seu lado em inaugurações de obras educacionais no Amapá.
Apesar do favoritismo, integrantes do PT avaliam que a agenda eleitoral de 2026 pode limitar o engajamento de Camilo em Brasília. O partido pretende preservar o controle do governo cearense e, caso o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) avance na formação de uma candidatura competitiva, não está descartada a possibilidade de Santana retornar à disputa estadual.
“A liderança do governo perdeu parte do peso político que tinha em anos anteriores e pode ser exercida por qualquer senador da nossa bancada”, afirmou um dirigente petista sob reserva.
Esse cenário abre espaço para a senadora Teresa Leitão (PT-PE), atual líder da bancada. Com mandato até 2030, ela teria disponibilidade para permanecer em Brasília durante todo o período legislativo, vantagem interna que agrada a parlamentares que desejam estabilidade nas negociações com o Congresso.
No curto prazo, a articulação política do Planalto se concentra na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1. Parlamentares governistas reconhecem que a matéria dependerá do diálogo direto entre Lula e Alcolumbre, independentemente de quem seja apontado como novo líder governista.
A saída de Jaques Wagner ocorreu após a deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master. Apesar do desgaste, a direção petista declara continuação do apoio ao senador baiano. Dirigentes reiteram confiança na possibilidade de Wagner demonstrar inocência e confirmam respaldo à sua campanha de reeleição ao Senado pela Bahia.
Enquanto o Planalto não formaliza a escolha, a bancada do PT trabalha para evitar divisões internas. A expectativa é que a definição seja encaminhada diretamente ao presidente Lula, que deve bater o martelo após conversas individuais com os principais interessados.
A liderança do governo no Senado, embora simbólica, é responsável por articular votações estratégicas, negociar emendas parlamentares e acompanhar indicações a cargos do Executivo. A escolha de um nome com interlocução fluida entre Planalto e Congresso é vista como peça central para a agenda legislativa do segundo semestre.

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