Enquanto enfrenta a Justiça americana, Maduro divulgou nota de solidariedade às vítimas. Delcy Rodríguez, presidente interina, confirmou 32 mortos e 700 feridos no país que ele deixou em caos.
O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, detido pelas autoridades norte-americanas desde 3 de janeiro, divulgou na quarta-feira, 24 de junho de 2026, uma nota pública em que expressou solidariedade às vítimas dos recentes terremotos que atingiram a Venezuela. Segundo balanço oficial apresentado pela presidente interina Delcy Rodríguez, os abalos sísmicos deixaram pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos, além de prejuízos materiais expressivos, sobretudo no Estado de La Guaira.
No texto assinado também por sua esposa, Cilia Flores, Maduro afirmou acompanhar a situação à distância e apelou por coesão nacional diante da tragédia. O comunicado foi intitulado “Mensagem de solidariedade à população da Venezuela”.
“Hoje a palavra é uma só: máxima união, máxima solidariedade e máxima ação”, escreveu o ex-mandatário.
Maduro destacou a importância de proteger os grupos mais vulneráveis — crianças, idosos e pessoas doentes — e pediu apoio irrestrito às equipes de resgate e a profissionais que atuam na linha de frente da emergência, entre eles policiais, militares, bombeiros, médicos e voluntários civis.
“Nesta hora difícil, chamamos à união nacional, à serenidade e ao amor concreto: ajudar, proteger, compartilhar, levantar e reconstruir”, acrescentou.
Os tremores foram sentidos com maior intensidade em La Guaira, região litorânea vizinha à capital Caracas. De acordo com Rodríguez, “dezenas de edifícios colapsados” transformaram o Estado em “zona de desastre”. O governo suspendeu aulas e atividades não essenciais no serviço público, além de disponibilizar hotéis e abrigos para as famílias que perderam suas casas ou tiveram os imóveis condenados.
Mesmo sob custódia em Nova York, Maduro buscou mostrar confiança na capacidade de recuperação do país. Ele recordou “grandes provas” enfrentadas pela população em anos recentes e declarou que a atual tragédia será superada “com fé, disciplina e solidariedade”.
Maduro governou a Venezuela de 2013 até sua captura. Após a operação conduzida por forças dos Estados Unidos em Caracas, Delcy Rodríguez, também filiada ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), assumiu interinamente o Executivo. A definição sobre eventual sucessão definitiva permanece em debate.
Até o momento, as autoridades venezuelanas não divulgaram previsão de conclusão dos trabalhos de busca. Equipes de proteção civil continuam mobilizadas, enquanto hospitais nas proximidades das áreas afetadas operam em regime de emergência. A prioridade anunciada por Caracas é localizar desaparecidos, garantir o envio de suprimentos básicos e iniciar a avaliação estrutural de pontes, estradas e instalações estratégicas.
Representantes de diversos países enviaram mensagens de apoio à Venezuela, prometendo assistência técnica e humanitária. A chancelaria venezuelana informou que irá coordenar possíveis doações internacionais com organismos multilaterais.
Apesar de isolado politicamente desde sua detenção, Maduro manifestou disposição para colaborar “no que for necessário” com o governo interino. Não há indicação, porém, de qualquer negociação entre Washington e Caracas para sua eventual repatriação a curto prazo. A investigação que envolve o ex-presidente segue em sigilo nos tribunais dos Estados Unidos.

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