Do cárcere em Nova York, onde responde por narcotráfico, Maduro usou o Telegram para pregar 'união e solidariedade' após sismos de 7,5 que abalaram a costa venezuelana.
O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro divulgou, na tarde de quarta-feira (24), uma mensagem direcionada aos cidadãos de seu país depois dos fortes terremotos que sacudiram a costa norte da Venezuela. O comunicado foi publicado em sua conta no Telegram a partir do complexo penitenciário federal em Nova York, onde Maduro e a esposa, Cilia Flores, aguardam julgamento sob acusações de narcotráfico e porte ilegal de armas, acusações que ambos negam.
“Hoje, a palavra é uma só: máxima união, máxima solidariedade e máxima ação. Que ninguém fique sozinho, que cada comunidade cuide de suas crianças, de seus idosos e de seus doentes, e que todos apoiemos o trabalho das equipes de resgate, da PNB, da FANB, da proteção civil, dos médicos, bombeiros, trabalhadores e voluntários”, escreveu o ex-mandatário.
No texto, Maduro estendeu condolências às famílias afetadas e pediu mobilização de recursos nacionais para atender às vítimas. Ele acrescentou que a Venezuela “já enfrentou grandes provações” e que o país “sairá fortalecido” da tragédia com “fé, disciplina e solidariedade”.
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Os tremores ocorreram às 15h47 (horário local) de quarta-feira (24). Dados preliminares do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicaram magnitude de 7,5, sucedida, quarenta segundos antes, por um abalo precursor de 7,2. O epicentro foi registrado a 23 quilômetros a noroeste de Yumare e a 24 quilômetros de San Felipe, região que abriga parte do parque de refinarias do país. Autoridades norte-americanas chegaram a emitir alerta de possível tsunami para áreas costeiras a até 300 quilômetros do epicentro, alerta que foi cancelado posteriormente sem registro de ondas significativas.
Imagens divulgadas por moradores mostraram edificações com fachadas danificadas em Caracas e em municípios adjacentes. Equipes de resgate da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), Corpo de Bombeiros e proteção civil foram acionadas. Até o momento, os órgãos oficiais não confirmaram número de vítimas fatais, mas relataram diversos feridos e deslocamento de famílias para abrigos temporários.
Maduro foi capturado em 3 de janeiro, durante operação militar norte-americana realizada simultaneamente em Caracas e em outras cidades. Desde então, a vice-presidente Delcy Rodríguez tem exercido a Presidência interinamente. O processo criminal contra o ex-chefe de Estado segue em curso na Justiça dos Estados Unidos, sem data definida para julgamento. Advogados de defesa reiteram que a detenção é “politicamente motivada” e afirmam que apresentarão recursos.
Ao fim de sua mensagem, Maduro voltou a sublinhar a necessidade de “serenidade” no país e encerrou pedindo orações. Internamente, autoridades venezuelanas planejam avaliar a infraestrutura estratégica, incluindo refinarias, rodovias e redes elétricas, a fim de identificar eventuais danos e prevenir novos riscos. As operações de inspeção devem prosseguir nos próximos dias.
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