Zohran Mamdani usou a morte de um colombiano em operação do ICE no Maine para pedir a extinção da agência. Para a esquerda americana, combater imigração ilegal virou crime.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani (Partido Democrata), pediu nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, a extinção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) depois que um agente da agência matou a tiros um cidadão colombiano durante uma ação de fiscalização imigratória em Biddeford, no Estado do Maine.
“Esta manhã em Biddeford, Maine, um homem de 26 anos se despediu de sua esposa e filha e saiu para o trabalho. Momentos depois, ele estava morto, baleado na cabeça por agentes do ICE, o 2º homem que o ICE matou em 6 dias. O ICE está matando nossos vizinhos. O ICE não pode ser reformado. Dissolvam o ICE”, escreveu Mamdani na rede social X.
De acordo com informações preliminares, o colombiano, cuja identidade não foi divulgada oficialmente, foi abordado enquanto se deslocava de carro para o trabalho. O incidente ocorreu uma semana após outro migrante ter sido morto em circunstâncias semelhantes no Texas, fato que elevou a pressão sobre o órgão federal responsável pela detenção e remoção de estrangeiros em situação irregular.
O procurador-geral do Maine, Aaron Frey, informou que o agente envolvido pertence ao Departamento de Operações de Execução e Remoção (ERO, na sigla em inglês) do ICE e foi afastado das funções enquanto uma investigação independente é conduzida.
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“As declarações iniciais indicam que um Oficial de Operações de Remoção de Execução estava conduzindo uma operação relacionada a uma ordem final de remoção quando o sujeito tentou fugir em um veículo na direção do oficial e foi fatalmente baleado”, detalhou Frey.
Segundo autoridades federais, o caso é o segundo em menos de dez dias envolvendo uso de força letal por parte de agentes do ICE, em meio à intensificação das operações de deportação promovidas pelo governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano). Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes voltaram a questionar os protocolos de abordagem do órgão, enquanto parlamentares republicanos têm defendido que o aumento das ações é necessário para conter a imigração ilegal.
A Embaixada da Colômbia em Washington lamentou a morte e informou que presta assistência consular à família da vítima. A representação diplomática afirmou ter solicitado ao Departamento de Segurança Interna (DHS) detalhes sobre o episódio e disse que acompanhará o inquérito até sua conclusão.
Especialistas em direito imigratório observaram que, embora agentes federais possuam autorização para empregar força letal em situações de risco iminente, cada ocorrência é analisada caso a caso. “O elemento central será determinar se houve ameaça crível à vida do agente”, explicou o advogado norte-americano David Hernández, professor de políticas públicas na Universidade de Georgetown.
A investigação segue em curso sob supervisão das autoridades estaduais e federais. Até o momento, o ICE não divulgou a filmagem das câmeras corporais dos oficiais nem revelou a íntegra do relatório preliminar. O resultado dos exames periciais deve ser apresentado às partes envolvidas nas próximas semanas.
Enquanto isso, grupos de direitos civis organizam vigílias em Biddeford e em Nova York em memória do colombiano e para pressionar o Congresso norte-americano a rever a atuação do ICE. A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de dissolução do órgão.
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