Pré-candidato acusa Moraes de ser ‘marqueteiro’ de Flávio Bolsonaro

Rafael Ramos
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Renan Santos, do partido Missão, disparou contra o ministro do STF. Segundo ele, decisões de Moraes inflamam a base bolsonarista e beneficiam eleitoralmente Flávio Bolsonaro.

O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em vídeo divulgado na segunda-feira, 13/07. Na gravação, o político sustenta que o magistrado estaria favorecendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pré-candidato ao Planalto, ao adotar decisões que, segundo ele, “alimentam o confronto” e mobilizam a base eleitoral bolsonarista.

“O Alexandre de Moraes, na bizarrice dele, se tornou uma espécie de cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro. Às vezes acho que ele é o marqueteiro do Flávio, porque tudo que o ministro quer é um Bolsonaro para brigar”, declarou Renan.

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Na mesma fala, o líder do Missão buscou relacionar a atuação do ministro do STF a interesses pessoais. Ele alegou que a repercussão do embate com o senador estaria ofuscando questionamentos sobre contratos firmados pela advogada Viviane Bacci, esposa de Moraes, com o empresário Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. Vorcaro é investigado por supostas fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e formação de milícia privada.

“Não importa para nada, só vem escândalo de corrupção lá do Flávio, e do outro lado parece que o Alexandre encontrou sua razão de ser — fazer todo mundo esquecer o contrato da mulher dele”, afirmou o pré-candidato.

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As críticas ocorreram no mesmo dia em que Alexandre de Moraes determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida cautelar foi adotada após o senador divulgar carta assinada pelo ex-chefe do Executivo na qual é designado como porta-voz político da família para a eleição de 2026.

No despacho, Moraes reiterou que Jair Bolsonaro está proibido de usar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”. O documento estabelece prazo de 48 horas para que a defesa do ex-mandatário esclareça se ele tinha conhecimento prévio da publicação do texto nas contas do filho e, caso positivo, apresente justificativa para o descumprimento da ordem judicial.

Flávio Bolsonaro preferiu não comentar publicamente a decisão até o fechamento desta edição. Aliados do senador avaliam recorrer, argumentando que o ofício familiar não configura atividade político-eleitoral nas redes, mas sim comunicação privada tornada pública por terceiros.

Renan Santos, que ganhou projeção ao se apresentar como alternativa de terceira via, já havia criticado decisões anteriores do ministro que, de acordo com ele, extrapolariam a “competência constitucional”. Especialistas ouvidos por Republica da Verdade ponderam que a suspensão de visitas, embora inusual, encontra respaldo no artigo 319 do Código de Processo Penal, que permite o estabelecimento de medidas cautelares diversas da prisão em casos de risco à instrução processual ou à ordem pública.

Com a disputa pelo Planalto se intensificando, analistas veem na troca de acusações a antecipação de um embate que tende a marcar a campanha de 2026. A defesa de Moraes não se pronunciou. Já o Supremo informou que o ministro atuou dentro das atribuições legais e que todas as decisões permanecem acessíveis para eventual contestação nos autos.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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