PF mira publicitário e agência fecha as portas após operação do STF

Paulo Filho
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Dois dias após ter o passaporte apreendido por ordem do STF, Thiago Miranda encerrou a MiThi. A agência, com dez anos de atuação, foi alvo da 10ª fase da operação Compliance Zero.

O publicitário Thiago Miranda anunciou em 13 de julho de 2026 que encerrará as atividades da MiThi, empresa que fundou há dez anos e que ganhou visibilidade por atuar em crises de reputação e campanhas de grandes marcas. O comunicado foi divulgado dois dias depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seu passaporte e proibi-lo de deixar o país no âmbito da operação Compliance Zero.

Na 10ª fase da investigação, deflagrada em 9 de julho, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Miranda. Os investigadores apuram a existência de uma estrutura voltada a intimidar jornalistas e remunerar influenciadores para promover conteúdos contrários ao Banco Central e favoráveis ao Banco Master. Conversas entre Miranda e Daniel Vorcaro, fundador do Master, já vinham sendo citadas nos autos.

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De acordo com a PF, havia risco de fuga. O inquérito registra que o publicitário pretendia embarcar para Miami justamente no dia em que oficializou o fim da agência. O despacho de Mendonça autoriza prisão preventiva em caso de descumprimento das medidas cautelares.

A defesa sustenta que Miranda “sempre colaborou”, compareceu a todos os atos investigatórios e forneceu os esclarecimentos solicitados. Advogados afirmam ainda que a viagem aos Estados Unidos seria particular e não representaria tentativa de obstruir o trabalho policial.

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No texto em que anuncia o encerramento da MiThi, o publicitário não faz referência direta à operação. Ele atribui a decisão a motivos pessoais e a um desejo de fazer uma pausa na carreira após uma década de atividades ininterruptas.

“Estou cansado. Foram 10 anos vivendo a agência 24 horas por dia. Agora quero um ano sabático antes de pensar no próximo negócio. Estou bem, feliz e profissionalmente realizado”, escreveu.

Segundo o próprio comunicado, a MiThi participou de projetos que “romperam fronteiras” e ajudou a consolidar marcas internacionais no Brasil. A empresa também teria atuado em bastidores de crises políticas nacionais e internacionais, embora nenhum caso específico tenha sido detalhado.

A operação Compliance Zero investiga suposta campanha de desinformação contra o Banco Central, suspeita de pagamentos a influenciadores e ameaça a jornalistas. O Banco Master, apontado como beneficiário da mobilização, nega irregularidades; Vorcaro responde a inquérito em liberdade.

Com o passaporte retido, Thiago Miranda permanece à disposição da Justiça enquanto o STF avalia eventuais novas medidas. Não há prazo definido para a conclusão do inquérito, que segue sob sigilo parcial.

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Paulo Filho é contador e especialista em legislação tributária e direito empresarial. Com sólida atuação na área contábil e jurídica, colabora com portais de notícias trazendo análises sobre economia, finanças públicas, tributação e o impacto das decisões jurídicas no cotidiano dos cidadãos e das empresas.
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