PF avança sobre fraude de R$ 54 bi nas Americanas em 2ª fase de operação

Rafael Ramos
4 Min Leitura

Operação Disclosure mira esquema bilionário que lesou investidores e o mercado. Nove mandados foram cumpridos no RJ e SP, com sequestro de bens dos investigados.

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, nesta quinta-feira, 25/06/2026, a segunda fase da Operação Disclosure, voltada a apurar supostas fraudes contábeis que, conforme estimativas preliminares, chegam a R$ 54 bilhões na varejista Americanas.

Durante a ação, agentes da PF cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores de investigados, limitado ao montante apontado como lesado.

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De acordo com a corporação, os alvos da operação teriam conhecimento de práticas irregulares que se estenderam por anos, entre elas operações de risco sacado e a contabilização de contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC) sem respaldo econômico. A investigação indica possível violação aos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa.

“Há indícios robustos de que diretores e ex-executivos mantinham ciência das inconsistências apresentadas nos balanços, ocultando dívidas relevantes da companhia”, afirmou um delegado responsável pelo caso.

Os investigadores listam os seguintes pontos como foco principal da etapa desencadeada HOJE:

• 9 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo;
• buscas pessoais contra investigados;
• sequestro de bens e valores até R$ 54 bilhões;
• apuração de fraudes contábeis ao longo de vários anos;
• análise de operações de risco sacado;
• verificação de contratos de VPC sem lastro econômico;

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A primeira fase da Operação Disclosure ocorreu em junho de 2024. Naquele momento, foram executados dois mandados de prisão preventiva e quinze de busca e apreensão contra ex-diretores da empresa. À época, também foi decretado o bloqueio de mais de R$ 500 milhões em bens dos suspeitos.

Conforme relatórios policiais de 2024, o esquema envolvia a antecipação de pagamentos a fornecedores via empréstimos bancários. As dívidas originadas nessas operações teriam sido retiradas dos balanços como se já estivessem quitadas, o que inflou artificialmente a saúde financeira da companhia.

“Identificamos VPCs lançadas em livros contábeis sem qualquer comprovação de prestação de serviço”, relatou um perito que acompanha o inquérito.

A ação de 2024 mirou a antiga cúpula da Americanas. Entre os alvos estavam os ex-CEOs Miguel Gutierrez e João Guerra Duarte Neto, investigados por participação na elaboração das demonstrações financeiras suspeitas. Gutierrez foi detido em Madri, Espanha, em 28/06/2024 e, no dia seguinte, recebeu liberdade provisória, mas segue sob processo de extradição requerido pelo MPF.

Além da esfera criminal, a suposta fraude contábil também mobiliza órgãos reguladores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) conduz apurações paralelas sobre eventuais falhas de supervisão de instituições financeiras que ofereceram crédito à varejista por meio das operações de risco sacado.

Investigadores reforçam que a segunda fase da Operação Disclosure busca aprofundar o rastreio patrimonial, delimitando a responsabilidade de cada envolvido. Caso confirmadas as suspeitas, os indiciados poderão responder por manipulação de mercado, associação criminosa e outros delitos previstos na legislação penal e no mercado de capitais.

Até o fechamento desta edição, não havia registro de prisões decorrentes da fase deflagrada HOJE. A defesa dos investigados não comentou as novas diligências. A Americanas afirma colaborar com as autoridades e reforça que as irregularidades investigadas se restringem à administração anterior.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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