Com 20 milhões de barris fluindo novamente pelo estreito em 24h, o mercado global respira aliviado. O Irã perdia o controle da rota estratégica que desestabilizou economias ao redor do mundo.
Os preços internacionais do petróleo registraram queda significativa nesta quinta-feira (25) e retornaram aos níveis anteriores ao conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. Segundo o secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, cerca de 20 milhões de barris atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, volume considerado próximo ao habitual para o principal corredor marítimo de exportação de petróleo do planeta.
Durante a crise, Teerã assumiu controle efetivo da rota e impôs restrições que desestabilizaram o mercado global de energia. Embora o fluxo venha se normalizando, o Irã sinalizou que pretende manter a autoridade sobre a navegação. Na manhã desta quinta-feira, a Guarda Revolucionária advertiu embarcações a permanecerem nas rotas por ela designadas, classificando como “inaceitáveis e perigosas” as alternativas temporárias anunciadas por Omã em coordenação com a Organização Marítima Internacional (OMI).
“Nenhum país na Terra tem o direito de cobrar pelo uso de vias navegáveis internacionais”, declarou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante reunião com chanceleres do Golfo no Bahrein.
Dados divulgados pela OMI apontam que 57 navios, com aproximadamente 1.100 tripulantes, cruzaram o estreito entre 23 e 25 de junho dentro de um plano de evacuação supervisionado pela agência. Ainda assim, autoridades de Omã destacaram que futuros entendimentos sobre a segurança marítima não devem envolver a cobrança de pedágios ou taxas.
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A missão de Rubio pelo Golfo teve como objetivo angariar apoio regional para o acordo preliminar entre Washington e Teerã. O texto prevê 60 dias adicionais de negociações sobre inspeções nucleares, incentivos financeiros e regras de tráfego no Estreito de Ormuz. Países árabes expressaram cautela, temendo que o fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões proposto possa fortalecer o aparato militar iraniano.
No campo doméstico, o presidente Donald Trump enfrentou críticas de integrantes do próprio Partido Republicano. Em reunião a portas fechadas, houve atrito com o senador Bill Cassidy, que cobrou explicações sobre os incentivos oferecidos ao Irã. Horas depois, a liderança republicana no Senado agendou votação de emergência e bloqueou, por 50 votos a 47, uma resolução que buscava encerrar as hostilidades.
“Esta votação serve de alerta para o Irã”, afirmou Trump em rede social logo após o resultado.
Pesquisa da Reuters/Ipsos indica que apenas 25% dos norte-americanos veem a guerra como justificável, pressão adicional às vésperas das eleições legislativas de novembro. Enquanto isso, o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou como falsa a informação de que Teerã usaria ativos descongelados para importar produtos agrícolas dos Estados Unidos.
Permanece em aberto a inclusão do programa de mísseis balísticos iranianos e da ofensiva paralela de Israel no Líbano nas tratativas futuras. Analistas do mercado energético alertam que, apesar do alívio imediato nos preços, qualquer novo impasse no Estreito de Ormuz pode provocar rápida inversão da tendência de queda.
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