Obra bilionária da Petrobras em MS volta após 10 anos paralisada. Brasil importa até 90% dos fertilizantes usados no campo — e a conta chega ao bolso do consumidor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira, 25/06, da cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS). O empreendimento da Petrobras estava paralisado desde 2015 e volta a integrar a estratégia da estatal para reduzir a dependência brasileira de insumos agrícolas importados.
Diante de operários, diretores da companhia e autoridades locais, Lula argumentou que a manutenção da capacidade produtiva interna é condição para a soberania econômica. Ele lembrou que cerca de 80% a 90% dos fertilizantes consumidos no país ainda são comprados no exterior, o que afeta preços e planejamento do agronegócio.
“Muita gente queria fechar a fábrica de fertilizantes. Era mais barato importar, parecia mais fácil. Mas um país do tamanho do Brasil não pode abrir mão de produzir aquilo que é estratégico para o seu próprio povo”, declarou o presidente.
Segundo Lula, decisões tomadas em gestões anteriores levaram ao encerramento ou à pausa de unidades no Paraná, em Sergipe e na Bahia, além da própria planta sul-mato-grossense. Para ele, a substituição da produção nacional por importações fragilizou a indústria.
“Uma nação jamais será soberana se não tiver controle sobre as coisas essenciais”, afirmou, defendendo a reversão desse quadro.
A Petrobras informou que a UFN-III passou por nova avaliação técnica e financeira e foi considerada viável. O conselho de administração aprovou investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão para concluir a obra, cujo cronograma de entrega será detalhado nos próximos meses.
O governo federal, por sua vez, já destinou R$ 100 milhões à retomada de outra unidade na Bahia, medida vista como complementar ao plano de revitalizar o complexo nacional de fertilizantes. A meta é dobrar a capacidade produtiva do país nos próximos anos, conforme destacou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
“Estamos identificando oportunidades que conciliem disciplina de capital, retorno financeiro e contribuição ao desenvolvimento do Brasil”, disse a executiva, reforçando que o plano converge com o Plano Nacional de Fertilizantes.
Durante o discurso, Lula também mencionou privatizações realizadas nos últimos anos, como BR Distribuidora, Liquigás e Eletrobras. Sem anunciar medidas específicas, ele questionou se essas operações trouxeram benefícios claros à população e reforçou que a Petrobras permanecerá sob controle do Estado, ainda que funcione como empresa de economia mista.
“É importante saber que isso depende de quem governa o país e de quem dirige a Petrobras”, acrescentou o presidente.
Com a retomada de Três Lagoas e outras plantas, o governo espera reduzir a vulnerabilidade externa em fertilizantes, apoiar o agronegócio e gerar empregos nas regiões atendidas. A expectativa da estatal é iniciar a fase de construção civil e montagem eletromecânica ainda neste segundo semestre, mobilizando centenas de trabalhadores e fornecedores locais.
A retomada da UFN-III representa um dos principais movimentos de reindustrialização do setor químico desde 2015 e terá capacidade projetada de produzir ureia, amônia e CO₂ de grau alimentício, insumos decisivos para a cadeia agropecuária e para a indústria de bebidas.
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