Levantamento da Gallup ouviu 2.436 jovens americanos e revelou que a maioria quer aliar impacto social à estabilidade financeira. O dado acende debate sobre o futuro do mercado de trabalho e as demandas da nova geração.
Uma nova sondagem da Gallup, elaborada em parceria com a Fundação da Família Walton e o projeto Making Caring Common da Universidade de Harvard, revela que a maioria dos jovens norte-americanos da Geração Z demonstra forte desejo de conciliar propósito social e estabilidade financeira. O levantamento, denominado Voices of Gen Z, ouviu 2.436 pessoas de 13 a 28 anos em dezembro de 2025 e foi divulgado nesta quarta-feira (24/06).
Segundo o estudo, quase 80% dos entrevistados afirmam ter interesse em carreiras voltadas ao cuidado ou à ajuda direta a outras pessoas. Os pesquisadores observam uma relação consistente entre vocação altruísta e sensação de bem-estar: entre quem deseja causar impacto positivo, 89% dizem enxergar significado em suas vidas.
“Ajudar os outros faz bem para a nossa saúde mental, e muitos jovens da Geração Z sentem falta de significado e propósito, o que realmente não é bom para a saúde mental”, comentou Richard Weissbourd, diretor do projeto Making Caring Common e professor sênior da Escola de Educação de Harvard.
Apesar da inclinação para funções de cuidado, metade dos participantes aponta barreiras concretas para seguir essa rota profissional. As preocupações mais citadas envolvem salários considerados baixos e risco de desgaste emocional. Exatamente 50% dizem priorizar empregos que paguem o suficiente sem serem excessivamente estressantes, criando um impasse entre vocação e condições práticas de trabalho.
Preços vistos na Amazon em 15/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
A pesquisa também mapeia fatores que minam a sensação de propósito. Para 52% dos jovens, o uso improdutivo de tecnologia afeta negativamente a construção de uma vida significativa. Quase metade menciona problemas de saúde mental, enquanto 34% apontam a escassez de relações presenciais como desafio adicional.
“Numa época em que a solidão e os problemas de saúde mental são uma questão para a Geração Z, estes dados mostram que eles querem ajudar as pessoas e estão lutando para encontrar significado e propósito na vida”, avaliou Katherine Senseman, consultora de pesquisa da Gallup.
Quando confrontados com a escolha entre um salário maior ou um emprego mais significativo, 49% indicam que optariam pelo rendimento superior. No entanto, se já recebessem remuneração confortável, a maioria manteria a função atual, sinalizando que a estabilidade financeira pode liberar espaço para a busca de propósito.
O professor Anthony Burrow, da Universidade Cornell, que não participou do levantamento, vê no resultado uma oportunidade para empregadores e educadores. Ele sugere que descrições de vagas incluam informações sobre ações comunitárias das empresas e que escolas detalhem trajetórias profissionais capazes de oferecer senso de missão.
“Quando surge a oportunidade de fazer algo com propósito ou significado, em geral, esta geração diz: ‘Eu quero fazer isso’”, resumiu Burrow.
Os autores do estudo concluíram que pressões por desempenho acadêmico e sucesso profissional caminham junto com a busca de significado. Assim, iniciativas que combinem remuneração justa, ambiente de trabalho saudável e objetivos sociais claros tendem a atrair e reter talentos da Geração Z.
Siga a República da Verdade e entre no nosso grupo exclusivo de discussão política.









