A extinção da jornada 6×1 pode encarecer o transporte e faltar motoristas no país. A CNT alerta que o rombo de R$ 12 bi será repassado ao bolso do brasileiro.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) calcula que a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a jornada 6×1 poderá acrescentar aproximadamente R$ 12 bilhões por ano às despesas do setor. O presidente da entidade, Vander Costa, afirma que o impacto financeiro, embora expressivo, não é o principal ponto de preocupação. Segundo ele, a dificuldade em recrutar profissionais tende a se agravar caso a mudança avance.
“Estimamos impacto anual de quase R$ 12 bilhões, mas o que mais nos preocupa não é o impacto financeiro, pois isso vai passar para preço, vai gerar inflação, mas é a falta de mão de obra”, declarou.
Atualmente, o transporte emprega cerca de 2,5 milhões de trabalhadores. A CNT relata falta de condutores, operadores e mecânicos em vários segmentos e avalia que uma redução na carga horária exigirá a contratação de profissionais extras ou o pagamento de horas extras, pressionando ainda mais a folha salarial.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e segue para análise do Senado. Enquanto isso, a CNT mantém articulação para ampliar o debate. Costa sustenta que as regras de jornada devem ser negociadas entre empresas e trabalhadores, em vez de serem fixadas na Constituição.
“Defendemos que a evolução venha por negociação coletiva, é isso que tem dado certo no Brasil. Não entendemos que tem que engessar a jornada em uma emenda constitucional”, afirmou.
O dirigente também vê reflexos no transporte público urbano. Ele prevê que operadoras de ônibus poderão rever a oferta de viagens, principalmente nos fins de semana, para compensar o aumento de custos. Entre as alternativas consideradas estão escalas reduzidas, adoção de veículos biarticulados e revisão de subsídios municipais.
“O menor impacto que pode ter é o aumento de custos. Ao precisar de mais motorista ou ter que pagar hora extra, o custo da prefeitura será maior”, pontuou.
Caso a PEC seja aprovada, a confederação defende um período de transição gradual, com incremento de carga horária distribuído ao longo de vários anos, a fim de suavizar o repasse de despesas ao usuário.
“É mais fácil para o empresário absorver o aumento se for uma hora por ano do que se colocar duas em dois meses”, avaliou.
Além da PEC, Costa comentou a Medida Provisória 1.343, que trata do transporte rodoviário de cargas e pode perder validade nesta semana se não for votada pelo Senado. Ele considera que dispositivos adicionados na Câmara, como a criação de um piso salarial para motoristas de longa distância, dificultam a aplicação da norma.
“Houve mudanças que são quase inaplicáveis, como o salário mínimo para motorista de longa distância”, criticou.
Quanto a eventuais paralisações, o presidente da CNT julga improvável uma greve nacional de caminhoneiros. Para ele, manifestações isoladas não devem comprometer o abastecimento, desde que seja garantido o direito de ir e vir.
“Só tem medo de greve quem não está no setor”, disse.
Costa também avaliou que a taxa básica de juros elevada freia a renovação da frota, impacto que, em sua visão, supera o peso do preço do diesel sobre as contas das empresas. Ele defende ajustes fiscais que permitam a redução dos juros e a ampliação da capacidade nacional de refino, medida vista como estratégica para diminuir a dependência de combustíveis importados.
Sobre a segurança no transporte de cargas, o executivo destacou investimentos em monitoramento e elogiou a aprovação de lei que autoriza suspender o CNPJ de empresas flagradas revendendo mercadorias roubadas.
“A ideia é mostrar que comprar carga roubada não é um bom negócio”, concluiu.
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