Operação do MP e da Polícia Civil revelou esquema de lavagem de dinheiro do PCC dentro de concessionária de ônibus em São Paulo. A Prefeitura reagiu e colocou interventor para assumir o controle das linhas da zona Leste.
A Prefeitura de São Paulo informou, na tarde de quinta-feira (25), que a São Paulo Transporte (SPTrans) assumirá a gestão e a operação das linhas de ônibus controladas pela concessionária Transunião, responsável por parte do atendimento à zona Leste da capital. A medida foi tomada poucas horas depois de o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagrarem uma operação que aponta o uso da companhia para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a administração municipal, um funcionário de carreira da SPTrans foi designado interventor e ficará encarregado de garantir a continuidade do serviço, sem interrupções ou prejuízos aos passageiros. Os contratos dos cerca de 4 mil empregados da Transunião serão mantidos, preservando salários e direitos trabalhistas.
“A prioridade da gestão municipal é assegurar a prestação do serviço de transporte coletivo à população”, declarou o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, ocorrido em 2020. A partir dali, promotores reuniram indícios de que um núcleo paralelo, ligado ao PCC, comandava as decisões estratégicas da empresa. Segundo o MPSP, esse grupo oculto autorizava transferências diretas de recursos da concessionária para integrantes da facção criminosa.
Entre os indícios levantados estão alterações societárias consideradas suspeitas. O capital social da Transunião saltou de pouco mais de R$ 100 mil para cerca de R$ 50 milhões sem comprovação de origem. Apenas em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões em repasses públicos pela prestação do serviço de transporte.
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Com base nos fatos apurados, a Justiça determinou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
A operação cumpriu seis mandados de prisão. Os alvos foram Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, e Devanil de Souza Nascimento – ambos réus pelo homicídio de Adauto –, o vereador Senival Moura (PT), o suposto operador financeiro Leonel Moreira Martins e o presidente da Transunião, Lourival de França Monario. Até o momento, Freitas, Nascimento e Moura foram presos.
“Recebemos com profunda indignação a decretação da prisão temporária, tomada às vésperas do período eleitoral”, afirmou o advogado Márcio Sayeg, que defende o vereador Senival Moura, reiterando confiança na Justiça e convicção de que “ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita”.
O Partido dos Trabalhadores divulgou nota à imprensa, informando que acompanha o caso e encaminhou o processo à sua Comissão de Ética, que poderá aplicar medidas disciplinares como afastamento cautelar ou até expulsão do filiado.
Paralelamente, a SPTrans elabora plano emergencial para absorver a frota de 1,4 mil ônibus operados pela Transunião. A empresa municipal esclareceu que o contrato de concessão continuará válido, mas sob administração direta do interventor até a conclusão das investigações.
A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito reforçou que o reajuste tarifário ou mudança de itinerários não está em discussão no momento. O MPSP e a Polícia Civil seguem analisando documentos, dados bancários e comunicações apreendidas para mapear o fluxo financeiro da organização criminosa.
Não há prazo definido para o término da intervenção. O Executivo paulistano afirma que novas medidas poderão ser adotadas caso surjam elementos que comprometam a regularidade do serviço ou a continuidade operacional.
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