Em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (21) que a cooperação entre Brasil e Índia “fortalecerá o Sul Global”, após encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. O pronunciamento marcou a assinatura de um acordo estratégico sobre minerais críticos e terras raras, ponto central da nova etapa de aproximação entre os dois países.
Segundo Lula, o pacto bilateral responde ao “unilateralismo comercial” e dialoga com os acordos de livre-comércio que tanto o Mercosul quanto a Índia concluíram recentemente com a União Europeia. “Um cenário global turbulento exige que nossos países aprofundem seu diálogo”, declarou o presidente.
Ao chamar Brasil e Índia de “farmácia e celeiro do mundo”, Lula destacou a diversidade biológica, a força cultural e a defesa conjunta do multilateralismo e da paz. A sintonia foi formalizada em vários instrumentos de cooperação firmados logo após a participação do brasileiro na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, na capital indiana.
O chefe do Executivo brasileiro elogiou a “notável evolução indiana” em tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial, áreas abarcadas pela Parceria Digital para o Futuro. O compromisso prevê usar inovação para promover desenvolvimento inclusivo.
No campo energético, Lula ressaltou a Aliança Global para Biocombustíveis, iniciativa liderada por Brasil, Índia, Japão e Itália que pretende quadruplicar o consumo mundial de combustíveis sustentáveis.
Saúde também entrou na agenda: a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, incluindo vacina contra tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e para doenças negligenciadas ou raras.
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Na área de defesa, o presidente citou a abertura do escritório da Embraer em Nova Délhi como exemplo de cooperação e, no campo da mobilidade, celebrou a ampliação da validade de vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos, medida que pretende aumentar o fluxo de pessoas entre os dois países.
O aprofundamento das parcerias levou Lula a propor a revisão da meta de comércio bilateral. Brasil e Índia, que em 2025 ultrapassaram pela primeira vez a marca de US$ 15 bilhões — 25% acima do registrado em 2024 —, haviam estabelecido objetivo de US$ 20 bilhões. “Estamos avançando tão rápido que deveríamos buscar US$ 30 bilhões”, declarou.
Ao abordar questões internacionais, Lula afirmou que “não há desenvolvimento sustentável em um mundo conflagrado”, defendeu o fim da guerra na Ucrânia e pediu alívio ao sofrimento do povo palestino. O Brasil, disse, repudiou atentados na Caxemira e reforçou que terrorismo não pode ser confundido com desafios de segurança pública. “As únicas guerras que a humanidade deve lutar são contra a fome, a pobreza e a degradação ambiental”, concluiu.
Agenda do presidente
Lula está na Índia desde quarta-feira (18) e permanece no país até este sábado (21). A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial reúne, na capital indiana, lideranças como o presidente francês Emmanuel Macron, o secretário-geral da ONU António Guterres e executivos como Sam Altman (OpenAI) e Sundar Pichai (Google).
Ainda hoje, o presidente brasileiro participa de reunião com investidores locais e de jantar oferecido por Modi. No domingo (22), Lula segue para a Coreia do Sul, onde deve assinar um plano de ação trienal para estreitar o relacionamento bilateral.
Com informações de Jovem Pan
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