Pesquisa nos EUA indica que treinar empurrando carrinho de bebê pode reduzir o risco de lesões. A prática ajuda pais e mães a conciliar atividade física, trabalho e cuidados com os filhos.
Correr empurrando o carrinho de bebê, prática que costuma surgir como alternativa para pais e mães que desejam manter a rotina de treinos, mostrou-se não apenas segura, mas potencialmente protetora contra lesões, de acordo com estudo divulgado no início de agosto por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A investigação partiu da própria experiência da professora de ciência do movimento e engenharia mecânica Allison Altman-Singles, que decidiu incluir o filho nos treinos diários para conciliar maternidade, trabalho acadêmico e atividade física.
O levantamento, assinado por Altman-Singles em conjunto com Houn G. Kim e Andrew Friesen, comparou dois grupos de corredores experientes: um formado por atletas que empurravam carrinhos de bebê e outro por corredores sem o equipamento. Participantes com características semelhantes — idade, altura, peso e quilometragem habitual — relataram suas ocorrências de lesão ao longo do período analisado. Entre os praticantes sem carrinho, 30% afirmaram ter enfrentado problemas como dores, inflamações ou fascite plantar. Já no grupo que corria com o carrinho, o percentual caiu para 19%.
Os pesquisadores observaram ajustes posturais que ajudam a explicar o resultado. Ao empurrar o objeto, os corredores tendem a inclinar ligeiramente o tronco para a frente, encurtar a passada, aumentar a cadência e reduzir a velocidade. Esse conjunto de mudanças, somado ao fato de até 16% do impacto vertical ser absorvido pelo carrinho, diminui o estresse sobre articulações e musculatura.
Para quem pretende adotar a modalidade, a Academia Americana de Pediatria recomenda que a criança tenha, no mínimo, seis meses de idade e já apresente controle adequado de pescoço e tronco — marco que costuma ocorrer por volta dos oito meses. Durante o primeiro ano de vida, o ideal é limitar o percurso a superfícies planas, manter o cinto sempre ajustado e evitar trechos acidentados. Carrinhos específicos para corrida trazem três rodas, amortecimento reforçado e freios, com preços variando de R$ 3 mil a R$ 16 mil, conforme recursos adicionais.
Profissionais de educação física ouvidos pelos autores do estudo ainda sugerem alternar a mão que segura o guidão, manter o abdômen ativo e evitar apoiar todo o peso no carrinho para preservar a postura. Novas etapas da pesquisa devem investigar como adaptações de velocidade, inclinação de terreno e tempo total de treino influenciam o desempenho dos pais corredores e o conforto das crianças. Enquanto isso, especialistas recomendam iniciar o hábito de forma gradual e sempre respeitar os limites individuais de adulto e bebê.

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