Ormuz reabre e produtores do Oriente Médio reativam poços de petróleo

Rafael Ramos
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Com o Estreito de Ormuz parcialmente liberado, países produtores retomam extração após meses parados. A volta gradual levanta dúvidas técnicas e pode agitar os preços globais do petróleo.

O Estreito de Ormuz, via essencial para o comércio global de energia, está parcialmente liberado e os países produtores do Oriente Médio que interromperam suas operações durante a guerra indicam que vão reativar gradualmente os poços de petróleo nas próximas semanas. A retomada suscita dúvidas técnicas e de mercado: de um lado, há expectativa por um fluxo robusto de barris; de outro, permanecem receios sobre possíveis danos aos reservatórios após meses de inatividade.

Encerrar a extração não é tão simples quanto girar um interruptor. Quando o bombeamento cessa, a pressão subterrânea se desequilibra, podendo deformar rochas porosas e permitir a invasão de água, o que reduz a produtividade. Equipamentos expostos à corrosão, acúmulo de areia e integridade comprometida de tubulações são outros desafios relatados pelos engenheiros.

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“É como uma caixa de bombons: você nunca sabe o que vai encontrar”, afirmou Vikas Dwivedi, estrategista global de petróleo e gás do Macquarie Group.

Durante o bloqueio, a falta de espaço para estocar petróleo e gás levou Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque a suspender parte de suas atividades. A ameaça de ataques com drones também forçou paralisações emergenciais em refinarias e terminais costeiros. Agora, com o afrouxamento das restrições marítimas, as companhias planejam reinjetar água e gás nos poços, elevando gradualmente a produção para evitar colapsos estruturais.

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump chegou a sugerir que longos períodos de paralisação gerariam explosões subterrâneas irreversíveis.

“Se eles não conseguirem movimentar o petróleo, toda a infraestrutura petrolífera vai explodir”, declarou Trump em 23 de abril, no Salão Oval.

Especialistas da indústria, contudo, consideram esse cenário improvável. Históricos de suspensões anteriores — como na pandemia de 2020 ou durante limites de produção da OPEP — indicam que a maioria dos campos voltou a operar sem perdas permanentes significativas.

“É provável que esses riscos estejam sendo superestimados”, avaliou Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan.

Há inclusive casos em que a pausa temporária favoreceu o equilíbrio de pressão natural, resultando em vazões maiores na reabertura. Ainda assim, técnicos alertam que o processo precisa ser escalonado ao longo de várias semanas, com testes de integridade em bombas, válvulas e revestimentos de concreto para evitar vazamentos de gases tóxicos.

No mercado, traders acompanham o cronograma de retomada para calibrar projeções de oferta e preço. Uma reinserção rápida poderia pressionar as cotações para baixo, enquanto contratempos logísticos ou danos imprevistos tenderiam a sustentar valores mais altos. Por ora, a preocupação prioritária das operadoras é garantir a segurança operacional e minimizar riscos ambientais na etapa de reativação.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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