Um médico francês voltou de missão no Congo com Ebola e acendeu o sinal de alerta mundial. A OMS pede calma, mas o caso já mobiliza autoridades sanitárias na Europa.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta quarta-feira, 24/06, que o registro de um caso isolado de Ebola na França “não constitui motivo para pânico”. O paciente é um médico francês que havia participado de missão humanitária na República Democrática do Congo (RDC) e, ao retornar ao país europeu, recebeu diagnóstico positivo para o vírus.
Segundo o Ministério da Saúde francês, o profissional foi imediatamente colocado em isolamento em um hospital de referência na região de Paris, enquanto equipes de vigilância rastreiam todas as pessoas com as quais ele manteve contato durante a viagem e após a chegada. A pasta ressaltou que o risco para a população em geral permanece “muito baixo” e que todos os protocolos internacionais estão sendo seguidos.
“Nos últimos 50 anos, menos de 30 casos de Ebola foram detectados fora do continente africano”, lembrou Tedros em coletiva de imprensa na sede da OMS, em Genebra. “Isso significa que o risco para o resto do mundo é baixo; seja na França ou em outros países da Europa, não devem reagir de forma exagerada”.
O vírus Ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e costuma causar febre alta, hemorragias e, em muitos casos, levar à morte. Desde que foi identificado pela primeira vez, em 1976, na então província de Équateur, na RDC, o patógeno provocou surtos letais principalmente em nações da África Central e Ocidental. A maior epidemia ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, causando mais de 11 mil mortes.
De acordo com a OMS, o fato de o enfermo ter sido isolado logo após o diagnóstico reduz significativamente a chance de transmissão secundária. As autoridades sanitárias francesas monitoram passageiros que estiveram no mesmo voo vindo de Kinshasa, além de familiares e colegas de trabalho do médico. Até o momento, não há relatos de sintomas entre esses contatos.
Especialistas destacam que a Europa dispõe de laboratórios capazes de confirmar o vírus em poucas horas e hospitais equipados para tratamento em ambientes de máxima contenção. A OMS, por sua vez, mantém equipes de prontidão na RDC para ajudar no controle do surto local e acompanha a situação na França. Conforme Tedros, não há recomendação de restrição de viagens ou comércio com o país africano, mas o órgão reforça a importância de vigilância e treinamento contínuo do pessoal de saúde.
Os governos europeu e africano seguem cooperando em investigações epidemiológicas. Embora o episódio desperte preocupação, autoridades reiteram que as lições aprendidas em emergências sanitárias anteriores, como a pandemia de Covid-19, permitem acelerar protocolos de notificação e resposta internacional. Relatórios de acompanhamento devem ser divulgados nos próximos dias.
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