Agro e governo negociam mudanças que afetam diretamente os caminhoneiros — sem ouvir a categoria. Lideranças do transporte criticam o acordo fechado às suas costas no Senado.
Senadores ligados ao agronegócio e parlamentares da base governista avançam, na manhã desta terça-feira (14), em um possível acordo para alterar a medida provisória (MP) que afeta diretamente as regras de trabalho dos caminhoneiros. As tratativas ocorrem sem a presença de representantes da categoria, ponto que tem gerado críticas de lideranças do transporte rodoviário de cargas.
De acordo com interlocutores no Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), ambos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, reuniram-se com a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para discutir ajustes no texto. Entre os itens colocados sobre a mesa, estão a retirada da anistia de multas aplicadas em fiscalizações anteriores e a supressão do piso de R$ 5 mil para ressarcimento de serviços prestados, duas das principais reivindicações dos caminhoneiros.
Uma nova rodada de conversas está agendada para HOJE, com a participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além das senadoras Tereza Cristina e Teresa Leitão. A meta é selar um entendimento antes da apresentação do parecer definitivo, previsto para ser protocolado ainda nesta semana.
O relator da MP, que se recupera de um procedimento cirúrgico na garganta, antecipou o retorno a Brasília para acompanhar os ajustes finais. Assessores próximos relatam que o parlamentar abriu mão do período de repouso recomendado pelos médicos para não atrasar o cronograma da medida.
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No setor de transportes, o clima é de descontentamento. Dirigentes que acompanham as negociações afirmam que a eventual retirada de pontos considerados essenciais esvaziaria a proposta original.
“Se tirarem a anistia de multas, o piso de R$ 5 mil e outros dispositivos que garantem segurança jurídica, é melhor rasgar o texto do que aprovar uma versão sem efeito prático”, afirmou um líder regional ouvido sob reserva.
A ausência de caminhoneiros na mesa de negociação é o foco das críticas. Para entidades de classe, discutir uma MP que altera diretamente a rotina de milhares de profissionais sem ouvir quem será afetado contraria o princípio da representatividade. Parlamentares aliados ao governo, por outro lado, sustentam que as mudanças buscam viabilizar um texto mais “exequível” do ponto de vista fiscal e regulatório.
Em meio ao impasse, técnicos do Ministério dos Transportes acompanham os debates, mas evitam posicionamento público enquanto o parecer não estiver concluído. O Planalto, segundo auxiliares, avalia que um acordo antes do recesso parlamentar reduziria a pressão sobre a base e evitaria a caducidade da MP.
A expectativa é que, após a consolidação do relatório, o texto seja votado primeiro na comissão mista e, em seguida, encaminhado para análise dos plenários da Câmara e do Senado. Caso as alterações avancem, representantes dos caminhoneiros prometem intensificar a mobilização e não descartam a possibilidade de protestos.
Por ora, o processo permanece centrado no Parlamento, e a definição sobre o conteúdo final da medida provisória dependerá do resultado das conversas programadas para ocorrer HOJE. A condução sem a presença formal da principal categoria impactada continua sendo o fator que ameaça a estabilidade do acordo em construção.
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