A Operação Última Parada mira um esquema criminoso dentro da Transunião, ligando a concessionária ao PCC e a figuras como Deolane e a família de Marcola. O presidente da empresa está foragido.
A Operação Última Parada, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil, apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria sido estruturado dentro da concessionária de ônibus Transunião. Segundo o inquérito, a investigação mapeia transações financeiras que podem ter beneficiado integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O atual presidente da empresa, Lourival de França Monario, é alvo de mandado de prisão e, até o fechamento deste texto, ainda não havia sido detido. A Promotoria sustenta que Monario mantinha relações patrimoniais e comerciais com Everton de Souza, o “Player”, preso na Operação Vérnix e apontado como operador financeiro responsável por administrar bens atribuídos à facção.
“A transferência de um veículo anteriormente em nome de Gabrielle Souza Santos para Lourival Monario apresenta características típicas de ocultação patrimonial”, descreve o relatório.
Gabrielle é apontada como companheira e sócia de Everton. Para os investigadores, a transação reforça a hipótese de uso da concessionária para encobrir capitais ilícitos.
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Os documentos também registram contatos frequentes de Everton com familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, considerado liderança do PCC, e com o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho, o “Marcolinha”. A advogada e influenciadora Deolane Bezerra, detida em maio, realizou operações financeiras com pessoa ligada ao mesmo núcleo familiar, mas não teve participação atribuída no esquema específico averiguado nesta operação.
Monario assumiu a presidência da Transunião após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ocorrido em março de 2020. A apuração indica que o homicídio teria origem em disputas internas sobre a gestão financeira da companhia. Relatórios bancários apontam movimentações superiores a R$ 9 milhões entre Monario e Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, acusado de envolvimento no assassinato e preso nesta quinta.
A Justiça expediu cinco mandados de prisão e 103 de busca e apreensão. Também determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à Transunião, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
Entre os detidos está o vereador paulistano Senival Moura (PT), apontado como integrante de um núcleo informal de comando da empresa. O inquérito afirma que a concessionária registrou aumento expressivo de capital social sem origem comprovada, fato que teria motivado o aprofundamento das diligências iniciadas a partir do homicídio de 2020.
A Operação Última Parada permanece em curso. Os mandados de prisão, buscas e bloqueios seguem válidos enquanto peritos analisam documentos, registros contábeis e comunicações eletrônicas recolhidas durante as ações desta quinta-feira.














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