Minério de ferro recupera após mínima de 11 meses e fecha a US$ 109

Rafael Ramos
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Após um mês de perdas seguidas, o minério de ferro reagiu nos mercados internacionais. A commodity avançou nas bolsas de Dalian e Singapura, sinalizando respiro para o setor.

Os preços de referência do minério de ferro registraram recuperação neste dia 24/06, um dia depois de atingirem os níveis mais baixos em quase um ano. Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), o contrato mais negociado avançou 0,74% e fechou a 744 iuanes por tonelada, equivalente a US$ 109,35. Já na Bolsa de Singapura, o contrato para julho subia 0,84% e era negociado a US$ 98,25 por tonelada durante a sessão.

Esse movimento ocorre após perdas de 6,6% em Dalian e 7,7% em Singapura no último mês, período marcado por expectativas de aumento da oferta global e por demanda sazonalmente mais fraca. Analistas apontam que a queda recente abriu espaço para compras na baixa (bargain hunting) e para a cobertura de posições vendidas, impulsionando os preços no curto prazo.

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“É uma correção normal de alta após quedas persistentes nos preços… no curto prazo, o minério de ferro ainda pode encontrar algum suporte, já que a produção de ferro-gusa permaneceu alta”, afirmou Cao Ying, analista da corretora SDIC Futures.

Dados da consultoria Mysteel indicam que o volume diário de transações de cargas marítimas subiu 87% na terça-feira em relação à segunda. Além disso, a produção de ferro-gusa na China atingiu 2,42 milhões de toneladas na semana passada, o maior patamar desde setembro de 2025, sinalizando resiliência da demanda interna.

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Operadores consultados relatam que o interesse de compra nos portos chineses sustentou os preços no mercado físico, fator que se refletiu rapidamente nos contratos futuros. Essa dinâmica levou alguns participantes a encerrar apostas na queda do preço, contribuindo para a recuperação observada hoje.

Um trader, que pediu anonimato por não estar autorizado a falar com a imprensa, disse que “o avanço das transações no mercado à vista forçou o fechamento de posições vendidas e ofereceu suporte adicional aos preços nos futuros”.

Apesar da reação positiva, analistas seguem cautelosos. O período de manutenção de altos-fornos costuma reduzir a procura por minério entre junho e agosto, enquanto novos carregamentos de grandes mineradoras devem chegar ao mercado nas próximas semanas. Esses fatores podem limitar ganhos adicionais caso não haja estímulos mais robustos à indústria siderúrgica chinesa.

Por outro lado, políticas de apoio a infraestrutura e iniciativas de estabilização do setor imobiliário continuam monitoradas por investidores. Caso o governo chinês anuncie medidas adicionais de estímulo, a demanda por aço e, consequentemente, por minério de ferro pode ganhar novo impulso no segundo semestre.

No balanço de forças, o mercado observa o equilíbrio entre oferta crescente, sazonalidade de produção e movimentos táticos de trading. A sessão de hoje reflete principalmente fatores técnicos, mas a trajetória para os próximos meses dependerá do ritmo da economia chinesa e das respostas de oferta das principais mineradoras globais.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.
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