O Project Silica, iniciativa de pesquisa da Microsoft, apresentou um sistema que grava terabytes de informações dentro de placas de vidro capazes de manter os dados inalterados por milênios e sem consumo de energia quando inativas.
Desenvolvido pela Microsoft Research, o método substitui fitas magnéticas e discos rígidos por blocos de borossilicato. Os dados não ficam na superfície: um laser de femtossegundo — com pulsos ultracurtos disparados milhões de vezes por segundo — “queima” estruturas microscópicas no interior do material. Cada ponto gerado, chamado de voxel, pode representar mais de um bit, alcançando densidade superior a 1 gigabit por milímetro cúbico.
Como o processo funciona
Antes da gravação, os arquivos passam por um esquema de codificação com correção de erros inspirado em redes 5G. Em seguida, o laser cria camadas sucessivas de voxels. Para ler o conteúdo, um microscópio identifica variações no índice de refração do vidro; imagens coletadas camada por camada são interpretadas por redes neurais convolucionais treinadas para reconhecer diferenças sutis nos padrões formados.
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Capacidade e durabilidade
Cada bloco de vidro atinge 4,84 TB de armazenamento. Testes de envelhecimento acelerado indicam que os dados permaneceriam íntegros por mais de 10 mil anos à temperatura ambiente, graças à estabilidade química e térmica do vidro, que resiste à umidade, às oscilações de temperatura e à interferência eletromagnética.
Desafios de escala
A principal limitação é o tempo de escrita: preencher totalmente uma placa pode levar mais de 150 horas. Projetos científicos que geram centenas de petabytes por ano precisariam de milhares de blocos e várias máquinas operando em paralelo, o que hoje restringe a adoção em larga escala. Ainda assim, a empresa vê o sistema como “a solução de armazenamento de arquivos para a era digital”, especialmente para repositórios que exigem alta durabilidade e raras consultas.
Com informações de Tecnoblog
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