O MP do Paraná acusou um médico de ameaças, perseguição e peculato em hospital municipal. Sua esposa, coordenadora de enfermagem, também responde por crimes na unidade pública.
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou, nesta quarta-feira, 24 de junho, o médico Rodrigo Felipe Amparado por uma série de crimes atribuídos a fatos ocorridos entre março e maio deste ano no Hospital Municipal de Itaúna do Sul, noroeste do Estado. A peça acusatória aponta ameaças reiteradas, perseguição, tortura e peculato contra servidores da unidade de saúde. A esposa do profissional, que atuava como coordenadora de enfermagem, também foi incluída na denúncia por peculato e prevaricação.
De acordo com o MPPR, Rodrigo Amparado teria utilizado intimidações e constrangimentos para controlar rotinas internas do hospital. Entre as condutas descritas, está a apropriação irregular de uma sala onde ele e a esposa permaneciam durante os plantões, além de suposto uso de materiais e espaços públicos em benefício próprio. Quando a atual secretária municipal de Saúde adotou medidas para corrigir falhas administrativas, o médico, segundo a denúncia, passou a persegui-la, estendendo as ameaças a seus familiares.
O texto apresentado à Justiça relata que Amparado teria ameaçado torturar a filha da gestora e matar o marido dela, chegando a exibir arma de fogo na cintura ao procurar um parente da vítima. Por esses fatos, o MPPR atribuiu ao médico três ocorrências de ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato. A Promotoria também pediu o afastamento imediato da esposa do cargo de chefia no hospital.
Em 17 de junho, o MPPR e a Polícia Civil cumpriram mandado de prisão preventiva contra o investigado em Itaúna do Sul. Na mesma data foram executados mandados de busca e apreensão. O médico permanece recolhido na Cadeia Pública de Nova Londrina enquanto o processo tramita.
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“Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na lei variam de advertência confidencial até cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências”, informou o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), que instaurou sindicância e determinou fiscalização no hospital.
A defesa, representada pelo advogado Manoel Neto, reagiu à apresentação da denúncia.
“Recebemos com surpresa o oferecimento da acusação e estamos analisando minuciosamente os autos para futura resposta. Em uma avaliação inicial, as acusações parecem amparadas em elementos frágeis e contraditórios, cuja credibilidade será contestada no curso do processo”, declarou o defensor.
O procedimento criminal seguirá agora para análise do Poder Judiciário, que decidirá sobre o recebimento da denúncia, possíveis medidas cautelares adicionais e a manutenção ou revogação da prisão preventiva. Se condenados, os réus poderão receber penas que variam conforme a gravidade de cada delito apontado, além de sanções administrativas no âmbito profissional.
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