MEC: mais da metade dos pais universitários abandonam curso pelos filhos

Cláudio Vasconcelos
3 Min Leitura

Levantamento do MEC revela crise silenciosa no ensino superior: 54% dos pais universitários trancam ou abandonam a graduação. Entre os afetados, 86,5% são mães que tentam conciliar filhos e diploma.

Um levantamento apresentado nesta terça-feira (14) por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC) aponta que 54,4% dos estudantes de graduação no país precisaram trancar a matrícula ou abandonar o curso temporariamente para assumir responsabilidades com os filhos. O estudo ouviu 7.648 universitários de todo o território nacional e oferece um retrato atualizado das barreiras enfrentadas por quem busca o diploma enquanto exerce a maternidade ou a paternidade.

Entre os participantes, 86,5% são mães que conciliam a criação dos filhos com a rotina acadêmica. A idade média dos entrevistados é de 33 anos, 92,8% frequentam aulas presenciais e 43,3% estudam no período noturno. O conjunto de dados reforça que, para boa parte dos brasileiros, o acesso ao ensino superior acontece mais tardiamente e em meio a múltiplas jornadas.

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O recorte socioeconômico confirma um cenário de vulnerabilidade. Segundo a pesquisa, 24,6% dos estudantes vivem com renda familiar de até um salário mínimo, enquanto 16,1% não possuem rendimento próprio. Apenas 2,5% declaram ganhar mais de dez salários mínimos. Além disso, 60,2% se autodeclaram pretos ou pardos, 79,5% cursam instituições federais e 59,6% têm somente um filho.

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O levantamento também investigou quais fatores mais comprometem a permanência no ensino superior. A ausência de políticas de alimentação infantil figura entre os principais obstáculos: 51% dos graduandos com filhos afirmam que as crianças não têm acesso ao restaurante universitário, porcentagem que chega a 49,3% na pós-graduação. Para esses alunos, garantir a segurança alimentar das crianças é condição indispensável para permanecer estudando.

A rede de apoio familiar ou comunitária é outro ponto decisivo. Do total de entrevistados, 43,3% relatam receber ajuda frequente de parentes e amigos, ao passo que 32,9% descrevem a rotina como exaustiva e solitária, sem suporte regular. O restante se divide entre apoio eventual ou inexistente.

A pesquisa detalha ainda o perfil demográfico: 46% dos participantes são solteiros, 39% moram em residências com três pessoas e 43,3% frequentam aulas à noite, refletindo a necessidade de adequar horários de estudo ao trabalho ou aos cuidados domésticos.

As conclusões do grupo de trabalho reforçam a relação direta entre gênero, renda e responsabilidade familiar na evasão universitária. Segundo os autores, os dados servirão de subsídio para a formulação de políticas públicas voltadas à permanência estudantil, como expansão de creches universitárias, auxílio financeiro e inclusão de crianças nos restaurantes das instituições.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.
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